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A VERDADE

Acima de Tudo!

 

 

 

...todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo! I Cor 8:6

15 - A LUZ DADA A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA SOBRE O ESPIRITO SANTO – UMA ANÁLISE HISTÓRICA E CONCEITUAL

 

Jairo Carvalho

 

15.1 – Introdução:

Qual foi a luz dada por Deus aos adventistas do sétimo dia sobre o espírito Santo? Foi ela mudada ou permanece o que sempre foi? Se você se depara com estas perguntas ou outras semelhantes, provenientes de outras pessoas ou mesmo de sua mente, faria bem a você analisar as informações históricas e conceituais trazidas à lume sobre este tema neste compêndio. O presente material apresenta uma pesquisa criteriosa, baseada nos testemunhos dados por Deus à Sua serva, Ellen G. White, sobre a evolução do entendimento adventista do sétimo dia sobre o tema "Divindade", bem como demonstra o entendimento a que chegamos com bases nas afirmações bíblicas e dos testemunhos sobre o tema. Não tem por objetivo denegrir a IASD, mas sim apresentar a todo o adventista sincero qual é a verdadeira situação na qual nos encontramos perante Deus, e o que precisamos aceitar neste particular de forma a obedecer fielmente aos reclamos divinos.

 

Pode ser que, ao deparar-se com este estudo, você diga em seu coração: Já me propus a não ler qualquer material que fale sobre este tema! Ouvi dizer que as pessoas que falam e escrevem sobre este tema estão procurando dividir a igreja! Entretanto, antes de tomar uma decisão como esta, veja o tremendo conselho dado pelo espírito de Profecia sobre a necessidade de aproveitar as oportunidades de obter conhecimento sobre as verdades divinas:

 

Deus a ninguém condenará no Juízo por honestamente haver crido numa mentira, ou conscienciosamente alimentado um erro; mas será por terem negligenciado as oportunidades de se familiarizarem com a verdade. O descrente será condenado não por ser descrente, mas porque não aproveitou os meios que Deus colocou ao seu alcance para habilitá-lo a se tornar cristão.” Testemunhos para Ministros, pág. 437

 

Assim considerando o conselho acima, seria prudente examinar este estudo à luz da Palavra de Deus.

 

 

15.2 - Como foram estabelecidas as doutrinas da IASD?

 

Por volta de 1831, Deus levantou um pregador para anunciar Sua mensagem. Um fazendeiro íntegro mas de pouca instrução secular chamado Guilherme Miller começava a anunciar o que havia entendido após 2 anos de estudo e oração sobre a profecia das 2300 tardes e manhãs. "Ocorriam-lhe sempre ao espírito as palavras: "Vai dizê-lo ao mundo; seu sangue requererei de tuas mãos.” O Grande Conflito, pág. 331. As palavras divinas impressionaram-no durante nove seguidos anos antes de este servo do Senhor decidir expor sua fé publicamente. Finalmente, este saiu a pregar a mensagem que havia recebido de Deus, no espírito e poder de Elias, deixando seu arado, tal como o fizera o profeta Eliseu a muitos séculos atrás. "Sua pregação era de molde a despertar o espírito público aos grandes temas da religião, e sustar o crescente mundanismo e sensualidade da época.

 

Em quase todas as cidades havia dezenas de conversos, e em algumas, centenas, como resultado de sua pregação. Em muitos lugares as igrejas protestantes de quase todas as denominações abriram-se-lhe amplamente; e os convites para nelas trabalhar vinham geralmente dos pastores das várias congregações. Adotava como regra invariável não trabalhar em qualquer lugar a que não fosse convidado; e, no entanto, logo se viu impossibilitado de atender à metade dos pedidos que choviam sobre ele.

 

Muitos que não aceitaram suas opiniões quanto ao tempo exato do segundo advento, ficaram convencidos da certeza e proximidade da vinda de Cristo e de sua necessidade de preparo. Em algumas das grandes cidades seu trabalho produziu impressão extraordinária. Vendedores de bebidas abandonavam este comércio e transformavam suas lojas em salas de cultos; antros de jogo eram fechados; corrigiam-se incrédulos, deístas, universalistas, e mesmo os libertinos mais perdidos, alguns dos quais não haviam durante anos entrado em uma casa de culto. Várias denominações efetuavam reuniões de oração, em diferentes bairros, quase a todas as horas do dia, reunindo-se os homens de negócios ao meio-dia para oração de louvor. Não havia nenhuma excitação extravagante, mas sim uma sensação de solenidade quase geral no espírito do povo. Sua obra, como a dos primeiros reformadores, tendia antes para convencer o entendimento e despertar a consciência do que a meramente excitar as emoções.

 

Em 1833 Miller recebeu da Igreja Batista de que era membro uma licença para pregar. Grande número dos pastores de sua denominação aprovou-lhe também a obra, e foi com essa sanção formal que continuou com os seus trabalhos. Posto que seus labores pessoais estivessem limitados principalmente à Nova Inglaterra e aos Estados centrais, viajou e pregou incessantemente. Durante vários anos suas despesas eram cobertas inteiramente por sua bolsa particular e posteriormente nunca recebeu o bastante para custear as viagens aos lugares a que era convidado. Assim, seus trabalhos públicos, longe de serem benefício financeiro, eram-lhe pesado encargo às posses, que gradualmente diminuíram durante este período de sua vida. Era chefe de numerosa família; mas como todos eram sóbrios e industriosos, sua fazenda bastava para a manutenção de todos....

 

Homens de saber e posição uniram-se a Miller, tanto para pregar como para publicar suas opiniões, e de 1840 a 1844 a obra estendeu-se rapidamente.

 

Guilherme Miller possuía grandes dotes intelectuais, disciplinados pela meditação e estudo; e a estes acrescentava a sabedoria do Céu, pondo-se em ligação com a Fonte da sabedoria. Era um homem de verdadeiro valor, que inspirava respeito e estima onde quer que a integridade de caráter e a excelência moral fossem apreciadas. Unindo a verdadeira bondade de coração à humildade cristã e ao poder do domínio próprio, era atento e afável para com todos, pronto para ouvir as opiniões de outrem e pesar seus argumentos. Sem paixão ou excitação, aferia todas as teorias e doutrinas pela Palavra de Deus; e seu raciocínio sadio e o profundo conhecimento das Escrituras habilitavam-no a refutar o erro e desmascarar a falsidade.

 

Todavia, não prosseguiu ele o seu trabalho sem tenaz oposição. Como acontecera com os primeiros reformadores, as verdades que [Guilherme Miller] apresentava não eram recebidas favoravelmente pelos ensinadores populares da religião. Não podendo manter sua atitude pelas Escrituras, viam-se obrigados a recorrer aos ditos e doutrinas de homens, às tradições dos pais da igreja. A Palavra de Deus, porém, era o único testemunho aceito pelos pregadores da verdade do advento. "A Bíblia, e a Bíblia só", era a sua senha. A falta de argumentos das Santas Escrituras, por parte dos oponentes, supriam-na eles pelo ridículo e o escárnio. Empregavam tempo, meios e talentos para difamar aqueles cuja única falta era esperar com alegria a volta de seu Senhor, e esforçar-se por viver vida santa e exortar aos demais a prepararem-se para o Seu aparecimento....

 

Se bem que Miller conseguisse ter casas repletas de ouvintes inteligentes e atentos, seu nome era raras vezes mencionado pela imprensa religiosa, exceto para fins de acusação e ridículo. Os descuidados e ímpios, tornando-se audazes pela atitude dos ensinadores religiosos, recorriam aos epítetos infamantes, graçolas vis e blasfemas, em seu esforço de amontoar o ultraje sobre ele e sua obra. O homem de cabelos grisalhos, que deixara o lar confortável para viajar a expensas próprias, de cidade em cidade, de vila em vila, labutando incessantemente a fim de levar ao mundo a solene advertência do juízo próximo, era vilmente acusado de fanático, mentiroso e patife explorador.

 

O ridículo, a falsidade, o insulto acumulados sobre ele, provocaram indignados protestos, mesmo por parte da imprensa secular. "Tratar um assunto de tão imponente majestade e terríveis conseqüências", com leviandade e linguagem baixa, declaravam mesmo homens mundanos ser "não meramente brincar com os sentimentos de seus propagadores e advogados", mas "fazer zombaria do dia de juízo, escarnecer da própria Divindade, e desdenhar os terrores de Seu tribunal.”...

 

A despeito de toda a oposição, o interesse no movimento adventista continuou a aumentar. As congregações cresceram das dezenas e centenas para milhares. Grande aumento houve nas várias igrejas, mas depois de algum tempo se manifestou o espírito de oposição a esses conversos, e as igrejas começaram a tomar providências disciplinares contra os que tinham abraçado as opiniões de Miller. Este ato provocou uma resposta de sua pena, em escrito dirigido aos cristãos de todas as denominações, insistindo em que, se suas doutrinas eram falsas, se lhe mostrasse o erro pelas Escrituras.

 

"Que temos nós crido", disse ele, "que não nos tenha sido ordenado pela Palavra de Deus, a qual, vós mesmos o admitis, é a regra e a única regra de nossa fé e prática? Que temos nós feito que provocasse tão virulentas acusações contra nós, do púlpito e da imprensa, e vos desse motivo justo para excluir-nos [os adventistas] de vossas igrejas e comunhão?" "Se estamos errados, peço mostrar-nos em que consiste nosso erro. Mostrai-nos, pela Palavra de Deus, que estamos enganados. Temos sido bastante ridicularizados; isso nunca nos poderá convencer de que estamos em erro; a Palavra de Deus, unicamente, pode mudar nossas opiniões. Chegamos às nossas conclusões depois de refletir maduramente e muito orar, e ao vermos sua evidência nas Escrituras." O Grande Conflito, págs. 331, 332, 335, 336, 337

 

O número dos que criam na mensagem do advento aumentava sobremaneira pelas pregações do ex-fazendeiro. Isto porque este limitava-se a apresentar os seus argumentos com base na palavra de Deus. Estes argumentos eram tão fortes que até mesmo seus oponentes não podiam refutá-los. Estes então recorriam a outra estratégia, que possuía relativa eficácia: difamar o nome do servo do Senhor. Da mesma forma que muitos séculos atrás, Jesus, a "vara verde", foi difamado pelos fariseus, Seu servo sofria o escárnio. Todavia, este prosseguia firme no propósito de apresentar a mensagem que havia recebido do Céu.

 

Em um particular apenas, este fiel servo de Deus e os demais estudiosos da Palavra que com ele estavam, haviam se equivocado. A profecia das 2300 tardes e manhãs apontava para a purificação do santuário a se iniciar no outono de 1844. Todavia, o santuário ao qual se referia não era o planeta Terra, como Miller e os pregadores do advento concluíam. Este era o santuário celestial, "não construído por mãos humanas", mencionado em Hebreus:

 

"Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus;" Hebreus 9:24

 

O santuário cuja descrição foi dada por Deus a Moisés no deserto, era uma "figura", um símbolo do verdadeiro santuário existente no céu, não feito por mãos humanas. Assim, o santuário cuja purificação se iniciaria em 1844 não era o planeta Terra, e sim o verdadeiro santuário celestial, não feito por mãos humanas. Nenhum acontecimento visível ocorreria na Terra em 1844.

 

Como os pregadores do advento não tinham esta compreensão, continuaram a pregar a volta de Cristo para 1844. Muitos, por medo de serem achados em falta diante de um Deus santo que estaria para lhes encontrar, ajuntaram-se ao grupo dos pregavam o advento do Senhor, embora não estivessem verdadeiramente convertidos. Estes, que eram a grande maioria, após constatarem que nenhum grande acontecimento ocorrera em 1844, abandonaram a fé juntando-se aos escarnecedores de Miller e dos pregadores do advento. Apenas um pequeno número remanescente do primeiro grupo de crentes no advento permaneceu em oração e estudo cuidadoso da Palavra de Deus, buscando conhecer em que particular haviam errado. Este grupo foi recompensado. Os anjos do Céu conduziram-nos ao entendimento correto da palavra "santuário" quando aplicada na profecia das 2300 tardes e manhãs. Outras verdades foram sendo descobertas, ressaltando-se entre elas a verdade do dia de sábado como dia santo, estabelecido por Deus como memorial de Sua criação, no qual deve haver descanso das atividades laborais que tenham por fim atingir nossos próprios interesses, e devem ser efetuadas neste dia apenas ações que glorifiquem o Seu santo nome. Deus confirmou a verdade do sábado à Sua serva Ellen G. White, em visão, meses após este grupo de pioneiros adventistas ter compreendido e aceitado esta mensagem:

 

"Cri na verdade quanto à questão do sábado antes de ter visto o que quer que fosse em visão relativa ao sábado. Só meses depois de ter começado a guardar o sábado foi que me foi mostrada sua importância e seu lugar na terceira mensagem angélica." Carta 2, 1874.

 

Ellen G. White e Tiago White, seu esposo aceitaram o sábado após receberem um folheto do Pastor Bates, que havia levado esta mensagem para um grupo de adventistas. Este grupo se fortaleceu nesta crença pelo estudo da palavra de Deus e pelas confirmações dadas à Ellen G. White em visões, de forma que passou a pregar mais amplamente a verdade do sábado, o sétimo dia da semana, como dia de descanso, tal como exposta em Êxodo 20:8-11. Por esta pregação, estes que já eram então denominados de adventistas, foram cognominados de "adventistas do sétimo dia". Daí advém o nome que foi posteriormente adotado como sendo oficial para a denominação instituída - Igreja Adventista do Sétimo Dia, oriunda do pequeno grupo de pioneiros adventistas que pregou o advento e sofreu grande decepção em 1844.

 

 

15.2.1 - O estabelecimento dos alicerces da fé - o corpo de doutrinas - 1844 - 1855

 

Mediante fervorosos esforços de estudo e oração, o pequeno grupo de adventistas do sétimo dia foi perscrutando as verdades reveladas pela palavra de Deus, e desta forma estabelecendo os alicerces da fé adventista. Sobre este esforço, a mensageira do Senhor aclara:

 

""Muitos de nosso povo não reconhecem quão firmemente foram lançados os alicerces de nossa fé. Meu esposo, o Pastor José Bates, o Pai Pierce, o Pastor [Hiram] Edson, e outros que eram inteligentes, nobres e verdadeiros, achavam-se entre os que, expirado o tempo em 1844, buscavam a verdade como a tesouros escondidos. Reunia-me com eles, e estudávamos e orávamos fervorosamente. Muitas vezes ficávamos reunidos até alta noite, e às vezes a noite toda, pedindo luz e estudando a Palavra. Repetidas vezes esses irmãos se reuniram para estudar a Bíblia, a fim de que conhecessem seu sentido e estivessem preparados para ensiná-la com poder. Quando, em seu estudo, chegavam a ponto de dizerem: 'Nada mais podemos fazer', o espírito do Senhor vinha sobre mim, e eu era arrebatada em visão, e era-me dada uma clara explanação das passagens que estivéramos estudando, com instruções quanto à maneira em que devíamos trabalhar e ensinar eficientemente. Assim nos foi proporcionada luz que nos ajudou a compreender as passagens acerca de Cristo, Sua missão e sacerdócio. Foi-me tornada clara uma cadeia de verdades que se estendia daquele tempo até ao tempo em que entraremos na cidade de Deus, e transmiti aos outros as instruções que o Senhor me dera.

 

"Durante todo o tempo eu não podia compreender o arrazoamento dos irmãos. Minha mente estava por assim dizer fechada, não podia compreender o sentido das passagens que estudávamos. Esta foi uma das maiores tristezas de minha vida. Fiquei neste estado de espírito até que nos fossem tornados claros todos os pontos principais de nossa fé, em harmonia com a Palavra de Deus. Os irmãos sabiam que, quando não em visão, eu não compreendia esses assuntos, e aceitaram como luz direta do Céu as revelações dadas." Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 206 e 207. (Special testimonies, Série B, 2, págs. 51-59, publicado em 1904)

 

Os pioneiros adventistas, notadamente Estevão Pierce, denominado "Pai Pierce" no texto acima, José Bates e Hiram Edson, Tiago White e Ellen G. White estudavam e oravam com fervor até chegarem ao entendimento das verdades bíblicas, que eram posteriormente confirmadas por Deus à Sua serva em visão. Assim as doutrinas, os pontos principais da fé, foram tornados claros, estando em harmonia com a palavra de Deus. Um particular no texto acima nos chama a atenção. A mensageira do Senhor declara que ela não podia compreender o sentido das passagens que eram estudadas por seu esposo e pelos demais pioneiros, e permaneceu neste estado até que foram tornados claros todos os pontos principais de nossa fé. A pergunta que fazemos é: Quando se tornaram claros todos os pontos principais da fé adventista? A partir de quando, segundo a revelação dada por Deus à Sua serva, todas as doutrinas principais estavam plenamente reveladas? A resposta para estas duas perguntas é de fundamental importância para que se cumpra o objetivo proposto neste compêndio - compreender qual é a verdade dada por Deus aos adventistas do sétimo dia sobre o tema "Divindade". Uma vez que buscamos a luz divina sobre o tema, não podemos tomar como referência histórica quaisquer escritos que não sejam de autores divinamente inspirados. Assim, buscaremos obter luz sobre este particular nos textos comprovadamente escritos por Ellen G. White. Considerando ainda que desejamos a verdade indubitável sobre este tema, procuraremos encontrar não apenas um texto, mais vários textos escritos pela Serva do Senhor que confirmem a partir de quando, historicamente,  a IASD - Igreja Adventista do Sétimo Dia, possuía todos os pontos principais da fé definidos pela revelação divina. Um texto muito esclarecedor sobre este tema, encontra-se em um de seus manuscritos:

 

"Mediante cuidado e labor incessantes e esmagadora ansiedade, tem a obra ido avante, até que agora a verdade presente está clara, sua evidência não é posta em dúvida pelos sinceros. ... A verdade agora é tornada tão clara que todas a podem ver, e abraçar, se quiserem; mas foi necessário muito trabalho para trazê-la à luz como está, e tão árduo labor jamais terá de ser realizado outra vez para tornar a verdade clara."  MS 2, 26 de agosto de 1855

 

O texto é claro. Nele, a mensageira do Senhor afirma que os adventistas já possuíam a verdade, e nunca mais seria necessário um esforço como o que havia sido realizado para trazê-la novamente à luz. Entre as verdades reveladas na Palavra de Deus, encontra-se a compreensão sobre o tema Divindade, e segundo o texto que lemos, esta também estava claramente revelada. Não seria necessário um novo esforço para trazê-la novamente à luz. E qual era a verdade concernente ao tema Divindade, que havia sido revelada por Deus nesta época? Podemos conhecê-la estudando o livro "Primeiros Escritos", impresso em 1858, três anos após Ellen G. White escrever o texto que lemos acima. Este livro foi escrito à luz da compreensão que os adventistas tinham sobre o tema "Divindade", e suas afirmações podem ser consideradas como a revelação dada por Deus à Sua serva sobre este tema. Neste livro, encontramos alguns textos bem esclarecedores que trazemos a lume abaixo:

 

a) O Deus Criador

 

Qual foi a verdade divina revelada por Deus para os pioneiros adventistas sobre Si mesmo? Quem é o Deus Criador? A Bíblia, sobre a criação do homem, afirma:

 

"Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gênesis 1:26, 27

 

Segundo a Bíblia, o Deus criador formou o homem a Sua própria imagem. Um particular que nos chama a atenção neste texto é a expressão que observamos no inicio do verso 26: "Disse Deus: Façamos..". Esta refere-se ao nome Deus sugerindo plural, significando que mais de uma pessoa da Divindade estava presente na criação do homem.

 

Quantas pessoas disseram "Façamos o homem à nossa imagem"?

 

A revelação dada por Deus à Sua serva Ellen G. White, encontrada no livro "Primeiros Escritos", responde a esta pergunta:

 

"Satanás foi outrora um honrado anjo no Céu, o primeiro depois de Cristo. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. Sua testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, seu porte nobre e majestoso. Mas quando Deus disse a Seu Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem" (Gên. 1:26), Satanás teve ciúmes de Jesus. Ele desejava ser consultado sobre a formação do homem, e porque não o foi, encheu-se de inveja, ciúmes e ódio. Ele desejou receber no Céu a mais alta honra depois de Deus." Primeiros Escritos, pág. 145

 

O texto é conclusivo. Afirma que Deus o Pai disse ao Seu Filho: "Façamos o homem..", explicando o texto de Gênesis 1:26. Eram dois os participantes da Criação. Além disso, encontramos outra informação bastante esclarecedora. O texto afirma que "Satanás teve ciúmes de Jesus", e "desejou receber do Céu a mais alta honra depois de Deus". O texto nos demonstra claramente que há uma hierarquia no Céu. Deus, o Pai figura como o primeiro; como tal, Ele, por Sua própria vontade e sabedoria, exaltou a Jesus e deu a Ele ilimitado poder e comando. Por isso, Satanás teve ciúmes de Jesus. Ele desejava "receber no Céu a mais alta honra depois de Deus", queria estar logo abaixo de Deus o Pai, no lugar onde estava Jesus Cristo. A seqüência do texto do livro "Primeiros Escritos" confirma este entendimento:

 

"Satanás e seus simpatizantes estavam lutando por reformar o governo de Deus. Desejaram perscrutar Sua insondável sabedoria e descobrir o Seu propósito em exaltar a Jesus e dotá-Lo com tão ilimitado poder e comando. Eles se rebelaram contra a autoridade do Filho. Todo o exército celestial foi convocado para comparecer perante o Pai a fim de que cada caso ficasse decidido. Aqui ficou decidido que Satanás seria expulso do Céu, com todos os anjos que a ele se haviam unido em rebelião. Houve então guerra no Céu. Anjos se empenharam em batalha; Satanás desejava derrotar o Filho de Deus e os que estavam submissos a Sua vontade. Mas os anjos bons e leais prevaleceram, e Satanás, com seus seguidores, foi expulso do Céu." Primeiros Escritos, págs. 145 e 146

 

A história relatada no texto acima demonstra que não há um terceiro Deus. Segundo o texto, havia Deus, o Pai, que havia dotado Seu Filho Jesus Cristo com ilimitado poder e comando, e Satanás, que desejava também ser Deus. Não havia nenhum terceiro Deus. Quando Satanás desejou ser exaltado como Deus, teve que comparecer perante o Pai para decidir seu caso. O texto não faz menção a qualquer outro Deus. Este era o entendimento adventista do sétimo dia, revelado por Deus mediante o estudo e oração e confirmado em visões por Ele para Sua serva Ellen G. White.

 

b) O espírito Santo

Qual foi a verdade revelada por Deus aos adventistas do sétimo dia sobre o espírito Santo? O mesmo livro, que reflete a luz dada pelo Senhor a Seu povo esclarece:

 

"Os que se levantaram com Jesus enviavam sua fé a Ele no santíssimo, e oravam: "Meu Pai, dá-nos o Teu espírito." Então Jesus assoprava sobre eles o espírito Santo. Neste sopro havia luz, poder e muito amor, alegria e paz." Primeiros Escritos, pág. 55

 

Como podemos perceber pela leitura do texto acima, a verdade revelada por Deus aos adventistas do sétimo dia sobre o espírito Santo é que este é um sopro, o espírito de Deus Pai, que é assoprado por Seu Filho Jesus Cristo sobre os que oram ao Pai. Percebam que o texto coloca os homens orando ao Pai pedindo: "Pai, dá-nos o Teu espírito", mostrando que o espírito era algo inerente a Deus o Pai, e não um Deus. Segundo o texto, Deus o Pai possui seu espírito e o dá a quem quer. Seu espírito não é um Deus separado dEle. A palavra hebraica usada para denominar o termo espírito no velho testamente é "ruah". No idioma grego, no qual foram escritos a maioria dos livros do novo testamento, a palavra utilizada é "pneuma". Ambas as palavras, tanto no idioma grego como no hebraico, significam "vento" ou "sopro". Em concordância com a revelação bíblica, Deus revelou a Ellen G. White que Seu espírito era o Seu "sopro", como um "vento", que não se percebe de onde vem nem para onde vai, mas sabe-se que ele atua - pode-se sentí-lo.

 

Segundo o livro Primeiros Escritos, que nos apresenta as verdades reveladas por Deus aos adventistas do sétimo dia, o que ocorre com os homens quando estes recebem o Seu espírito, ou seja o Seu sopro em grande medida? Outro texto nos esclarece este ponto:

 

"Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus. Os santos vivos, em número de 144.000, reconheceram e entenderam a voz, ao passo que os ímpios julgaram fosse um trovão ou terremoto. Ao declarar Deus a hora, verteu sobre nós o espírito Santo, e nosso rosto brilhou com o esplendor da glória de Deus, como aconteceu com Moisés, na descida do monte Sinai." Primeiros Escritos, pág. 15

 

A luz que o espírito Santo, o sopro de Deus, traz, quando derramado em grande medida,

faz com que as pessoas que o recebem brilhem com o resplendor da glória de Deus. A cena descrita pelo texto acima retrata o final do processo de santificação dos seres humanos, conhecido como glorificação. Da concessão do espírito de Deus e os benefícios desta, trataremos posteriormente neste compêndio, quando formos tratar da promessa do Consolador mencionada no evangelho de João, capítulos 14 e 15.

 

À luz do que vimos até este ponto do estudo, percebemos que a verdade da Palavra de Deus dada por Ele aos adventistas do sétimo dia sobre o tema divindade era:

 

- Há um Deus, o Pai;

 

- Há um Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, dotado pelo Pai de ilimitado poder e comando. Jesus e o Pai criaram, conjuntamente, o homem à Sua imagem;

 

- O espírito Santo é o espírito do Pai, soprado por Jesus quando os homens pedem ao Pai em oração. Não é um Deus.

 

- Não há nenhum outro Deus criador diferente de Deus o Pai e de Jesus Cristo.

 

Há aqueles que afirmam que nesta época (por volta de 1858), os adventistas eram arianos, ou seja, não criam que Jesus era Deus ("arianos" é um termo utilizado para denominar os seguidores de Ário, que não cria na divindade de Cristo).  Entretanto, à luz do que lemos no livro "Primeiros Escritos", percebemos que isto não é verdade. Os textos do livro colocam de forma clara a verdade de que Jesus Cristo é Deus e criou o homem juntamente com Deus o Pai. Os adventistas do sétimo dia desta época criam que Jesus era sim Deus, e portanto não eram arianos.

 

 

15.2.2 - O entendimento dos Adventistas do Sétimo Dia sobre Deus - 1866 - 1911

 

Acabamos de constatar, na seção anterior, qual era o entendimento dos adventistas do sétimo dia sobre o tema "Divindade", dado por Deus a eles. Fora revelado que há um Deus o Pai e um Filho de Deus, que também é Deus - Jesus Cristo. Não foi revelado nenhum outro Deus. Muitos entretanto argumentam que a luz divina concedida ao homem é progressiva, e portanto Deus poderia dar maior luz sobre este tema, levando os adventistas à compreensão de que haveria um terceiro Deus. Seria isto verdade? Teria Deus mudado algo ou acrescentado luz à este tema para os adventistas alguns anos após a impressão do livro "Primeiros Escritos"? Para responder a estas perguntas, precisamos analisar textos escritos por Ellen G. White em datas posteriores a 1858, ano em que este livro foi impresso, a fim de constatar ou não esta possibilidade. Trazemos então a lume um texto escrito em 1866:

 

"Quando eles [Israel] chegaram ao Sinai, Ele aproveitou a ocasião para refrigerar-lhes o espírito com relação a Suas reivindicações. Cristo e o Pai, lado a lado no monte, proclamaram com solene majestade os Dez Mandamentos." Historical Sketches, pág. 231 (1866).

 

O texto acima, escrito em 1866, mostra que Deus revelou a Ellen G. White que foram Deus Pai e Jesus Cristo que proclamaram com solene majestade os Dez Mandamentos no monte Sinai. Qual foi o primeiro mandamento que eles proclamaram?

 

R.: "Não terás outros deuses diante de mim." Êxodo 20:3

 

Segundo a revelação dada por Deus em 1866, Cristo e o Pai deixam expressamente claro que não admitem que o homem coloque outros deuses diante dEles. Talvez você se pergunte: Porque Cristo e o Pai, que são duas pessoas distintas, proclamaram: "Não terás outros deuses diante de Mim.", como se ambos fossem um só? A resposta está na palavra de Deus. Jesus, quando viveu como homem na Terra, disse:

 

"Eu e o Pai somos um." João 10:30.

 

As palavras de Jesus esclarecem que não é errado dizer  "Não terás outros deuses diante de Mim", mesmo havendo duas pessoas divinas - Ele e Deus Pai. Isto porque Ele é um com Seu Pai - um na natureza, no caráter, e no propósito. Então, eles podem dizer "mim", referindo-se a ambos.

 

Podemos dizer, pelo testemunho dado por Deus à Ellen G. White em 1866 que acabamos de analisar, que de certa forma foi colocada maior luz sobre o tema "Divindade". Neste ano, além de saberem que havia Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo, que também era Deus e mais nenhum outro Deus no Céu, os adventistas foram informados de que foram o Pai e o Filho que juntos proclamaram o primeiro mandamento. Assim, de acordo com a luz revelada por Deus, qualquer homem que colocasse para si outro deus além do Pai e do Filho estaria transgredindo o primeiro mandamento, e comentendo o pecado de idolatria, o qual Deus abomina.

 

 

15.2.2.1 - 1870

 

Quatro anos mais tarde, em 1870, os adventistas do sétimo dia publicaram o primeiro livro de uma série de quatro volumes, denominados "Spirit of Profecy" (espírito de Profecia), que continham a luz revelada por Deus à Sua serva Ellen G. White sobre os eventos relacionados com o Conflito entre Cristo e Satanás desde a rebelião e queda deste até a redenção final do homem. Tendo sido publicado pelos adventistas do sétimo dia, este volume reflete a luz que eles possuíam sobre o tema de nosso interesse - "a Divindade". O volume 1 desta série apresenta o relato da Criação do mundo e do homem, trazendo luz sobre o tema "Divindade". Este volume foi publicado em partes em português no compilado "História da Redenção" (confira em "História da Redenção" - Prefácio). Apresentamos abaixo um trecho deste material, do original escrito em 1870:

 

"Pai e Filho empenharam-Se na grandiosa, poderosa obra que tinham planejado - a criação do mundo. A Terra saiu das mãos de seu Criador extraordinariamente bela....

 

Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e o Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o homem à Sua própria imagem. Eles tinham operado juntos na criação da Terra e de cada ser vivente sobre ela. E agora, disse Deus a Seu Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem." Gên. 1:26. Ao sair Adão das mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria." História da Redenção, págs. 20, 21

 

O texto acima retrata a luz divina que receberam os adventistas do sétimo dia de que foram Deus Pai e Seu Filho Jesus Cristo que criaram o mundo. Também aclara que foram Eles, Pai e Filho, que fizeram o homem à Sua própria imagem, segundo está escrito em Gênesis 1:26. Perceba que o texto que lemos acima sobre a criação do homem apenas confirma a luz que Deus já havia dado aos adventistas e foi impressa doze anos antes (1858) no livro "Primeiros Escritos".

 

Dez anos após a impressão do primeiro volume da série "Spirit of Profecy" (portanto em 1890), foi impresso outro livro, escrito pela própria pena de Ellen G. White, que trambém trazia a luz dada por Deus a ela e aos adventistas do sétimo dia sobre a "Divindade", denominado "Patriarcas e Profetas". Apresentamos abaixo alguns trechos deste livro que trazem luz sobre o tema em questão:

 

"O Soberano do Universo não estava só em Sua obra de beneficência. Tinha um companheiro - um cooperador que poderia apreciar Seus propósitos, e participar de Sua alegria ao dar felicidade aos seres criados. "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus." João 1:1 e 2. Cristo, o Verbo, o Unigênito de Deus, era um com o eterno Pai - um em natureza, caráter, propósito - o ÚNICO SER que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus....

O Pai operou por Seu Filho na criação de todos os seres celestiais." Patriarcas e Profetas, pág. 34

 

O texto acima, lança mais luz sobre o tema, de modo a dirimir qualquer dúvida. Afirma expressamente que Cristo era um com o eterno Pai em natureza, caráter e propósito, e ainda que Cristo era o ÚNICO ser que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus. A palavra "único" não dá margem para que haja nenhum outro. Para exemplificar, analisemos a afirmação abaixo:

 

"O filho Fernando é o único parente vivo da dona Maria."

 

Segundo a frase acima, Maria tem algum parente vivo além do Fernando? A resposta é clara: não. Se o Fernando é o único parente vivo da Maria, esta não possui nenhum outro parente vivo.

Da mesma forma, o testemunho dado por Deus à Sua serva Ellen G. White afirma que Jesus é o único ser que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus. Se Jesus é único ser que pode penetrar nos conselhos de Deus, existe algum outro ser que também pode penetrar os segredos do Pai? Tão certo como a dona Maria não pode possui nenhum outro filho além do Fernando, porque ele é único, ninguém mais pode penetrar os segredos do Pai além de Cristo, porque ele é o único que pode sondá-los.

 

Existem aqueles que utilizando-se do texto de I Coríntios 2:10, 11, afirmam que existiria mais um ser, o espírito Santo, que poderia penetrar nos propósitos de Deus, além de Cristo. Esta afirmativa não pode ser verdade, pois contradiz o testemunho inspirado por Deus que lemos acima, que afirma que Cristo era o único que poderia penetrar nos propósitos de Deus. Aqueles que fazem tal afirmação com respeito ao espírito Santo, possuem um entendimento equivocado desta passagem bíblica. O texto bíblico diz:

 

"Mas Deus no-lo revelou pelo espírito; porque o espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o espírito de Deus." I Coríntios 2:10, 11

 

O texto afirma que o espírito perscruta as profundezas de Deus. Obviamente, o termo espírito está se referindo a Cristo, que, de acordo com a revelação dada por Deus à Sua serva Ellen G. White é o ÚNICO que pode perscrutar todos os propósitos de Deus. A Bíblia também atesta com clareza que somente o Filho de Deus, Jesus Cristo, conhece verdadeiramente o Pai:

 

"Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar." Mateus 11:27

 

O texto é conclusivo. Afirma que NINGUÉM conhece o Pai, senão o Filho. Temos então que, se ninguém conhece o Pai além do Filho, o espírito que perscruta, ou conhece as profundezas de Deus, é o Filho de Deus, o único que conhece e pode perscrutar os segredos do Pai. Assim, a palavra "espírito". mencionada em I Coríntios 2:10.11. é utilizada para se referir a Cristo. Isto também pode ser constatado pelo próprio estudo do contexto da passagem (capítulos 1 e 2 de I Coríntios). Um segundo texto extraído do livro "Patriarcas e Profetas", apresenta um parecer conclusivo quanto a esta questão:

 

"O Rei do Universo convocou os exércitos celestiais perante Ele, para, em sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação que Este mantinha para com todos os seres criados. O Filho de Deus partilhava do trono do Pai, e a glória do Ser eterno, existente por Si mesmo, rodeava a ambos. Em redor do trono reuniam-se os santos anjos, em uma multidão vasta, inumerável - "milhões de milhões, e milhares de milhares" (Apoc. 5:11), estando os mais exaltados anjos, como ministros e súditos, a regozijar-se na luz que, da presença da Divindade, caía sobre eles. Perante os habitantes do Céu, reunidos, o Rei declarou que ninguém, a não ser Cristo, o Unigênito de Deus, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos, e a Ele foi confiado executar os poderosos conselhos de Sua vontade. O Filho de Deus executara a vontade do Pai na criação de todos os exércitos do Céu; e a Ele, bem como a Deus, eram devidas as homenagens e fidelidade daqueles." Patriarcas e Profetas, pág. 36

 

O texto acima mostra que foi revelado à Ellen G. White que o próprio Deus Pai declarou a todos os habitantes do Céu que ninguém, a não ser Cristo, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos. Isto sacramenta o entendimento de que o espírito que conhece as coisas de Deus, descrito em I Coríntios 2:10,11, é Cristo. O que Deus o Pai declara, Ele nunca muda, segundo o que a Bíblia afirma:

 

"Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança." Tiago 1:17

 

Assim, o que o Pai disse sobre Cristo estava sacramentado pelas eras eternas. A ninguém, além de Cristo, foi, é, ou será permitido penetrar nos propósitos de Deus. Deus Pai afirmou isto perante todos os habitantes do Céu. Portanto, todos os habitantes do Céu sabem que somente Cristo é um com o Eterno Pai em natureza, caráter e propósito.

 

Acabamos de analisar textos escritos por Ellen G. White no ano de 1890. Qual era a revelação de Deus dada aos adventistas do sétimo dia sobre o espírito Santo nesta época? Teria ela mudado em relação ao que fora revelado cerca de 35 anos antes (1858) e impresso no livro "Primeiros Escritos"? Para esclarecer este ponto, analisemos um testemunho que foi escrito em 1893:

 

"Depois de Cristo ser batizado, curvou-Se nas margens do Jordão; e nunca antes ouvira o Céu tal oração como a que saiu de Seus lábios divinos. Cristo tomou sobre Si nossa natureza. A glória de Deus, em forma de uma pomba de ouro polido, pousou por sobre Ele e, da infinita glória, foram ouvidas estas palavras: "Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo." Mat. 3:17.

 

A raça humana acha-se circundada pelo braço humano de Cristo, ao passo que com o braço divino Ele segura o trono do Infinito. A oração de Cristo fendeu as trevas e penetrou aonde está Deus. Isto quer dizer, para cada um de nós, que o Céu se nos acha aberto. Quer dizer que as portas estão abertas de par em par, que a glória é comunicada ao Filho de Deus e a todos quantos crêem em Seu nome. Nossa petição será ouvida no Céu, assim como Deus respondeu à petição de nosso Penhor, nosso Substituto, o Filho do infinito Deus." Manuscrito 27, 1893 (Temperança, 184)

 

O texto acima trata primeiramente da ocasião do batismo de Jesus. Todos os estudiosos da Bíblia afirmam que, à luz da revelação bíblica, após o batismo, o espírito Santo desceu sobre Cristo sobre a forma corpórea de uma pomba, conforme está escrito no evangelho de Lucas:

 

"E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo." Lucas 3:21, 22

 

Relativo a esta cena, vimos que Deus revelou à Ellen G. White que o espírito Santo que desceu sobre Cristo era a glória do Pai, na forma de uma pomba de ouro polido. O texto também afirma que "a glória é comunicada ao Filho de Deus e a todos quantos crêem em Seu nome", certificando-nos de que ao pedir ao Pai receberemos porções da Sua glória, que é o Seu espírito. Sobre a relação entre o espírito Santo e a glória de Deus, estudaremos com mais vagar na seção 3.1 deste compêndio.

 

Pelo que estudamos até aqui, percebemos que Deus concedeu luz suficientemente clara aos adventistas do sétimo dia para que estes não fossem levados à um entendimento errôneo das escrituras relativo ao tema "Divindade". A análise de diversos testemunhos dados por  Deus à Sua serva Ellen G. White ao longo dos anos, revela-nos que Deus foi apenas enfatizando reiteradas vezes o que já havia revelado aos adventistas sobre a "Divindade" em 1855, provando-se verdadeiro o testemunho escrito por ela naquele ano, que afirmava que as verdades já estavam reveladas por Deus a eles:

 

"Mediante cuidado e labor incessantes e esmagadora ansiedade, tem a obra ido avante, até que agora a verdade presente está clara, sua evidência não é posta em dúvida pelos sinceros. ... A verdade agora é tornada tão clara que todas a podem ver, e abraçar, se quiserem; mas foi necessário muito trabalho para trazê-la à luz como está, e tão árduo labor jamais terá de ser realizado outra vez para tornar a verdade clara."  MS 2, 26 de agosto de 1855

 

 

15.2.2.2 - Minneápolis - 1888

 

A fim de compreender melhor os textos que serão analisados sobre o tema "Divindade" datados após 1893, é interessante que façamos um pequeno retrocesso de cinco anos em nossa linha de tempo e analisemos a evolução dos fatos históricos ocorridos com a liderança da IASD desde o ano de 1888.

 

Nos dias 17 de outubro a 4 de novembro de 1888, realizou-se a assembléia da Associação Geral em Minneápolis - Minesota - EUA. Algumas pessoas afirmam que nesta assembléia houve uma insatisfação quanto à crença dos adventistas relativa ao espírito Santo. Seria isto verdade? Não nos parece ser, ao menos quando analisamos os sermões proferidos por Ellen G. White durante esta assembléia, bem como os testemunhos escritos por ela nos anos subseqüentes. Apresentamos a seguir alguns testemunhos dados pela serva do Senhor que nos permitirão identificar qual foi o problema ocorrido nesta assembléia, qual foi a mensagem apresentada, quais foram os mensageiros escolhidos por Deus para apresentar esta mensagem e qual foi a reação dos líderes da igreja quanto à esta mensagem.

 

A mensagem e sua importância:

 

"Em Sua grande misericórdia, enviou o Senhor preciosa mensagem a Seu povo por intermédio dos pastores Waggoner e Jones. Esta mensagem devia pôr de maneira mais preeminente diante do mundo o Salvador crucificado, o sacrifício pelos pecados de todo o mundo. Apresentava a Justificação pela Fé no Fiador; convidava o povo para receber a Justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus. ... Esta é a mensagem que Deus manda proclamar ao mundo. É a terceira mensagem angélica que deve ser proclamada com alto clamor e regada com o derramamento de Seu espírito Santo em grande medida." Special Testimonies to Ministers and Gospel Workers, Serie A 151 / Testemunhos para Ministros, págs. 91, 92

 

"Nesta reunião [Minneápolis] ouvi, pela primeira vez, pelo Dr. Waggoner, as razões da sua posição." MS 15, 1888 (Minneápolis 1888, pág. 14)

 

"Quando o irmão Waggoner proferiu estes pensamentos em Mineápolis, este foi o primeiro e claro ensino sobre este tema, que eu jamais ouvira de lábios humanos, com exceção de conversas havidas entre mim e o meu marido." MS 5, 1889, 9,10 (Mineápolis 1888, pág. 14)

 

Os testemunhos acima mostram qual era a mensagem mais importante apresentada na assembléia de Minneápolis, 1888. A mensagem da Justificação pela Fé foi dada pelo Senhor aos pastores Waggoner e Jones, e era a terceira mensagem angélica em verdade, aquela que deveria ser "proclamada com alto clamor" e regada com a "Chuva Serôdia", segundo o que escreveu Ellen G. White. Estes pastores, comissionados por Deus, a apresentaram na assembléia de 1888 esta mensagem, que representava um convite para que os adventistas aceitassem a luz vinda do próprio Céu e se tornassem habilitados para receber a Chuva Serôdia, a fim de pregarem-na com um alto clamor. Entretanto, infelizmente, os líderes do movimento adventista naquela época rejeitaram o convite, tornando-se inabilitados para receber o derramamento do espírito Santo em grande medida. Disto atestam os sermões proferidos por Ellen G. White nesta assembléia:

 

""Quero dizer-vos agora que é uma coisa terrível que, quando Deus vos envia uma luz e depois de ter influenciado o vosso espírito e o vosso coração, procedeis como eles (os Judeus). Se a verdade de Deus não for aceita, o Seu espírito se retirará. Cristo, porém, foi aceito por alguns. O espírito testemunhou que Ele era Deus. Mas uma contra-corrente entrou. Anjos maus trabalhavam na reunião, para levantar dúvidas e provocar incredulidade, para que fosse excluído cada raio de luz, dado por Deus. Num tal lugar Cristo nada podia fazer. Vós podeis ver qual era a influência de Satanás e o erro que o povo cometeu. Não fizeram progresso, e como não progrediram, trabalhavam sob o domínio de Satanás. Mas mesmo assim pretendiam estar sob a direção de Deus. Deus, porém, nada tinha a haver com a sua incredulidade e inimizade contra Jesus Cristo. Eu desejaria que vós pudésseis ver e reconhecer que, caso não fizerdes um progresso, estareis em retrocesso." 1888 Sermões, pág. 26

 

"Os que não cavarem sempre mais no poço da verdade, não verão beleza alguma nos assuntos deliciosas que foram apresentados nesta Conferência. Se a vontade estiver uma vez em oposição formada contra a luz, será muito difícil ceder; mesmo em frente das provas claras que foram dadas nesta Conferência. Zaragatear, duvidar, criticar e fazer pouco dos outros, é a educação que muitos receberam. Recusam-se a aceitar provas. O coração natural está em luta contra a luz, a verdade e o conhecimento. Jesus estava em cada sala de dormir, onde vós conversáveis. Quantas orações subiram destas salas?" pág. 41

 

"Irmãos, Deus tem uma luz extremamente preciosa para o Seu povo. Não a chamo uma nova luz, mas oh, para muitos é estranhamente nova. Oh, a vossa leviandade, as vossas conversas estão escritas no livro. ... Se soubésseis como Cristo considera o vosso procedimento durante esta reunião." págs. 41, 42

 

"Agora estamos quase no fim desta reunião, e nem uma confissão foi apresentada; não houve nem uma fenda para deixar o espírito Santo entrar. Como já disse, qual é a vantagem de estarmos aqui reunidos, se os nossos pregadores só vêm para impedir que o espírito Santo chegasse ao povo? Esperávamos que houvesse uma tendência para o Senhor. Possivelmente pensais que tendes tudo que necessitais. ... Eu vos falei e pedi, mas parece-me que tudo passa por vós. ... Nunca estive tão inquieta como no tempo atual. pág. 52

 

"E vi, como almas preciosas, que estavam prontas para aceitar a verdade, foram impedidas pela maneira como foram tratadas. Jesus não estava incluído. E é por isto, porque vos rogo todo o tempo - nós queremos Jesus. Qual é a razão do espírito de Deus não estar presente em nossas reuniões? Porque erguemos barreiras em volta. Eu vos falo resolutamente, porque quero demonstrar-vos onde estais. Quero que vós, homens jovens, tomais uma posição pela verdade, por vossa própria inteligência e não porque um outro o faz. Foi dito que o irmão Waggoner tinha tomado posse na condução da reunião. Não vos deu a Palavra da Bíblia?... Creio que meu testemunho não é agradável, mas, como o temor do Senhor, o darei." pág. 54

 

"O Dr. Waggoner falou duma maneira simples e compreensível. Nas suas palavras há uma luz preciosa. ... Se os nossos irmãos que servem, aceitassem a doutrina da Justiça de Cristo, tão claramente exposta, com a sua ligação com a lei - e eu sei que eles devem aceitar isto - não seriam então os seus preconceitos uma força dominante e o povo podia ser alimentado com a alimentação ao tempo devido. ..."

 

"Não vejo desculpas para o estado de sentimentos criado nesta reunião. É minha primeira oportunidade ouvir alguma coisa a respeito deste tema. Ainda não tinha uma conversa com o meu filho W.C. White, com o Dr. Waggoner ou o irmão A. T. Jones. Nesta reunião ouvi pela primeira vez as razões da posição do Dr. Waggoner."

 

"O meu guia me disse: Muita luz brilhará da Lei de Deus e do Evangelho da Justiça. Se for compreendido o verdadeiro caráter desta mensagem, e sendo ela proclamada na força do espírito Santo, toda a Terra será iluminada pela clareza. A grande e decisiva questão deve ser levada a todas as nações, línguas e povos. A obra final da tríplice mensagem angélica será acompanhada de uma força pela qual os raios do Sol da Justiça alcançarão todas as estradas da vida. Decisões serão tomadas para Deus, como o mais alto Soberano, e a Sua lei será aceita como padrão."" pág. 58 (Minneápolis, 1888 págs. 16, 17)

 

Os sermões de Ellen G. White proferidos na assembléia de 1888 esclarecem que o tema da controvérsia, que gerou insatisfação, era a Justificação pela Fé, e não a posição adventista sobre o espírito Santo ou a trindade, como defendem alguns. A esta época, a própria análise histórica dos textos que fizemos até então demonstrou que os adventistas não criam em tal doutrina (trindade); ao contrário do que hoje se prega, a revelação dada pela Céu mostrava que existem apenas Deus o Pai e Seu Filho Jesus Cristo, e que os dois são "Um", (João 10:30), não havendo nenhum outro Deus ao lado destes. O conteúdo dos sermões também atesta que a mensagem de Justificação pela Fé apresentada pelos pastores Waggoner e Jones não foi aceita na ocasião.

 

Ainda sobre o conteúdo da mensagem de Waggoner e Jones apresentada em 1888, gostaríamos de comentar mais um particular. Existem pessoas, entre as quais muitas que se dizem teólogos, que afirmam que Waggoner, ao expor o tema da Justificação pela Fé em Mineápolis, 1888, contribuiu para modificar o entendimento adventista sobre Cristo, o que teria contribuído para uma mudança posterior do pensamento adventista sobre Deus. Seria isto verdade? A fim de constatarmos isto, exporemos primeiramente a crença dos adventistas sobre a pessoa de Cristo, acatada através da revelação divina pela palavra de Deus e da confirmação dada por Ele à Sua serva Ellen G. White, como vimos anteriormente:

 

- Há um Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, dotado pelo Pai de ilimitado poder e comando. Jesus e o Pai criaram, conjuntamente, o homem à Sua imagem. Cristo era um com o Eterno Pai, em natureza, caráter e propósito, o Único Ser em todo o universo que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus.

 

Vejamos agora as declarações de Waggoner a respeito de Jesus Cristo:

 

Cristo tinha vida em Si mesmo [João 10:17] Ele possui imortalidade em Si mesmo. Há uma divina unidade entre o Pai e o Filho. Cristo é por natureza da mesma substância de Deus. Ele tem vida em Si mesmo. Ele é chamado de Jeová, e existe por Si mesmo. Ele é igual ao Pai e tem os atributos de Deus.” Trinity, pág. 195

 

"Dirigindo-Se diretamente ao Seu Filho, DEUS o chamou pelo mesmo título. No Salmo 45:6 lemos estas palavras: "O Teu trono, ó DEUS, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do Teu reino." O leitor casual pode considerar isto simplesmente a atribuição de louvor do salmista a DEUS, mas quando nos volvemos ao Novo Testamento, descobrimos tratar-se muito mais do que isso. Descobrimos que DEUS, o PAI, é quem fala e que está se dirigindo ao Filho, chamando-O de DEUS. Ver. Heb. 1:1-8" Cristo e Sua Justiça, pág. 9

 

"As Escrituras declaram que CRISTO é o "unigênito de DEUS". Ele é gerado, não criado. Quando Ele foi gerado não nos compete indagar, nem nossas mentes poderiam assimilá-lo se nos fosse indicado. O profeta Miquéias nos diz tudo quanto podemos saber sobre isto nesta palavras: "E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Miquéias 5:2. Houve um tempo em que CRISTO procedeu e veio de DEUS, do seio do PAI (João 8:42; 1:18), mas esse tempo está tão recuado nos dias da eternidade que para a compreensão finita é praticamente sem início." Cristo e Sua Justiça, pág. 19

 

Ao comparar as declarações de Waggoner a respeito de Cristo com a crença adventista sobre Ele nesta época, percebemos que não há qualquer divergência. Os adventistas criam que Cristo, o Filho de Deus, era Deus, e Waggoner também o afirma. Os adventistas criam que Cristo foi dotado pelo Pai de ilimitado poder e comando, ou seja, Ele recebeu de Seu Pai o poder e o comando. Waggoner corrobora com isto, pois afirma que Cristo procedeu de Deus, ou seja, foi gerado de Deus. Sendo gerado, herdou o poder e autoridade que possui aquele de quem foi gerado - Deus, o Pai - por isso os adventistas criam que foi Deus o Pai quem dotou a Jesus com ilimitado poder e comando. Verificamos portanto que os escritos e declarações de Waggoner que acompanham a mensagem de Justificação pela Fé que este apresentou em 1888, não mudaram em absolutamente nada o que os adventistas criam sobre Cristo. Pelo contrário, apenas confirmaram o entendimento que já existia.

 

Posto que a mensagem apresentada pelos servos de Deus em Minneápolis 1888, não foi aceita pela liderança do movimento adventista do sétimo dia, Ellen G. White, juntamente com os pastores Waggoner e Jones, passaram a empreender a obra de pregar tal mensagem sem o auxílio daqueles que rejeitaram o convite divino. Entretanto, estes líderes - Uriah Smith, Buttler (então presidente da Conferência), Olsen (que foi presidente da Conferência Geral após Mineápolis - 1888) e outros, se mantiveram no caminho de tal mensagem, opondo-se a ela e à obra dos três pregadores. A oposição à esta obra encampada pela mensageira do Senhor foi tão sentida por ela que está registrada em um de seus testemunhos:

 

"Eu sei que o Senhor tem uma benção para nós. Ele tinha uma benção para nós em Minneápolis e também na Conferência Geral [1889] aqui. Mas a benção não foi aceita. Alguns aceitaram a luz com alegria. outros, porém, mantiveram-se atrás, e a sua posição encorajava outros a alimentar incredulidade e de a distribuir. ... Se for possível quero estar longe daqui, antes de perder a última gota de energia." Sermão em Battle Creek, 16.03.1890

 

Nesta época, Ellen G. White era uma senhora de quase sessenta anos. O teor da mensagem de um trecho de seu sermão, apresentado acima, mostra quão grande era a oposição que ela enfrentava da liderança do movimento adventista ao seu esforço de levá-los a crer na mensagem de Justificação pela Fé dada por Deus aos pastores Waggoner e Jones. Sua exclamação era: "Se for possível quero estar longe daqui,". Apesar de ter proferido tal exclamação, não era plano do Senhor que ela se ausentasse de Battle Creek, nos Estados Unidos, o centro denominacional de então. O Senhor aprovava seu esforço em conjunto com os pastores Waggoner e Jones para que a verdade fosse estabelecida. Todavia, apesar de a aprovação do Senhor estar sobre a obra de Sua serva, Ele nunca tira dos homens o direito de escolha - o livre arbítrio. Incomodados pelas constantes reprovações que a serva do Senhor fielmente lhes dava quanto a sua posição de negar a luz que Ele havia dado a Waggoner e Jones e não dispostos a ouvir as constantes exortações ao arrependimento que esta lhes dirigia, postularam que Ellen G. White deveria ser deslocada para a Austrália, a fim de desenvolver um trabalho naquele campo. Entretanto, a serva do Senhor registrou, através de uma carta enviada ao pastor Olsen, então presidente da Conferência Geral, que não havia qualquer luz divina indicando que ela deveria ir para tal campo. Transcrevemos um trecho desta carta abaixo:

 

"O Senhor não estava dirigindo nossa saída da América. Ele não revelou que era Sua vontade que eu deixasse Battle Creek. O Senhor não planejou isso, mas permitiu que agissem segundo vossa própria imaginação. O Senhor desejava que W. C. White, sua mãe [Ellen G. White] e seus obreiros permanecessem na América. Nós éramos necessários no centro da Obra, e tivesse vossa percepção espiritual discernido a verdadeira situação, nunca teríeis consentido com as medidas tomadas. Mas o Senhor lê os corações de todos. Havia tanta disposição para que partíssemos que o Senhor permitiu que esse evento tivesse lugar. Aqueles que estavam cansados com os testemunhos dados foram deixados sem a pessoas que os transmitiam. Nossa separação de Battle Creek foi para deixar os homens cumprirem sua própria vontade e maneira, que julgavam superior à maneira do Senhor.


O resultado está perante vós. Tivessem permanecido do lado certo, tal decisão não teria sido tomada neste tempo. O Senhor teria trabalhado pela Austrália por outros meios, e uma forte influência teria sido mantida em Battle Creek, o grande coração da Obra.

 

Lá teríamos permanecido ombro a ombro, criando uma atmosfera saudável a ser sentida em todas as nossas associações. Não foi o Senhor quem planejou essa questão. Não pude obter um raio de luz quanto a deixar a América. Mas quando o Senhor apresentou-me essa questão tal como realmente era, não abri os lábios para ninguém porque eu sabia que ninguém discerniria a questão em todas as suas implicações. Quando partimos, alívio foi sentido por muitos, mas não tanto por ti mesmo, e o Senhor não Se agradou disso, pois Ele havia nos colocado junto às rodas do maquinismo de Battle Creek." Carta 127, 1896 para O. A. Olsen (Minneápolis, 1888 págs. 41, 42)

 

Além de rejeitar a mensagem dada por Deus através dos pastores Waggoner e Jones, os líderes do movimento adventista rejeitaram também as admoestações feitas pela serva do Senhor para que eles se arrependessem de tal atitude. Foram ainda mais longe - desejando silenciar a voz de reprovação vinda do Céu, enviaram aquela que testemunhava em favor dos reclamos divinos para a Austrália, do outro lado do planeta, e se sentiram aliviados quando ela se foi, conforme é manifestado no texto da carta transcrita acima: "Quando partimos, alívio foi sentido por muitos, mas não tanto por ti mesmo, e o Senhor não Se agradou disso". Constatamos que o próprio presidente da Conferência Geral trabalhou para  levar para longe a mensageira que lhe trazida mensagens diretas do Céu, e sentiu-se aliviado quando ela se foi. Percebemos que a partir de 1888 iniciou-se um processo de apostasia dentro da igreja adventista, encabeçado pela liderança. Um outro testemunho escrito por Ellen G. White comprova isto:

 

"A influência, vinda da resistência contra a luz e verdade de Minneápolis, tem a tendência de apagar a luz dada ao povo de Deus, através dos testemunhos ... porque alguns daqueles que tinham posições de responsabilidade, foram penetrados pelo espírito que prevaleceu em Minneápolis - um espírito que obscureceu a capacidade de observação do povo." Carta à Conferência Geral, 1893 (Minneápolis, 1888, págs. 43, 44)

 

O testemunho acima não apenas nos serve para constatação da afirmação feita no parágrafo anterior, como também nos mostra uma advertência: é afirmado que a influência dos líderes do movimento adventista no sentido de resistir a luz dada por Deus aos pastores Waggoner e Jones em 1888, fá-los-ia apagar a luz dos testemunhos, ou seja, torná-los-ia tão resistentes à verdade a ponto de rejeitar a luz dada por Deus através dos testemunhos de Ellen G. White. Também afirma que tal espírito de resistência "obscureceu a capacidade de observação do povo", ou seja, a membresia da IASD, que vendo os testemunhos apontando para uma direção e sua liderança guiando-os para outra, seria confundida a ponto de ter dificuldades de discernir qual era a verdade revelada por Deus em cada particular da fé. A tendência para a rejeição dos testemunhos denunciada por Ellen G. White no texto acima finalmente mostra que a IASD estava realmente entrando em apostasia, porque segundo Deus revelou a ela, o primeiro passo para a apostasia é a rejeição dos testemunhos:

 

"Uma coisa é certa: Os adventistas do sétimo dia que se colocam sob o estandarte de Satanás abandonarão primeiro sua fé nas advertências e repreensões contidas nos Testemunhos do espírito de Deus." Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 84 / Eventos Finais, pág. 153

 

Analisando a história contada através dos testemunhos, percebemos que um passo tímido em direção a apostasia leva a outro mais ousado. Os líderes da IASD primeiramente rejeitaram a luz que Deus deu ao Seu povo através dos pastores Waggoner e Jones. Em seguida, ao serem reprovados por Deus, através dos testemunhos de Ellen G. White por terem feito isto, arranjaram para que ela fosse para a Austrália, bem distante deles, para fazer silenciar a voz que lhes reprovava os pecados, mesmo sendo isto contra o plano divino. Foram então advertidos por vários testemunhos, entre eles a Carta para a Conferência Geral escrita em 1893 que trouxemos à lume a pouco, de que estavam no caminho da rejeição dos próprios testemunhos dados por Deus à Sua serva, e levando o povo consigo, deixando-o com a capacidade de observação obscurecida.

 

Como poderia este processo ser revertido? Como poderiam os líderes da IASD retirá-la do caminho da apostasia e voltar para o caminho de obediência a Deus? Para aqueles que estão no caminho do pecado e da apostasia, a Bíblia lhes apresenta o único caminho para a reconciliação com Deus e Seus propósitos:

 

"Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o SENHOR Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniqüidade não vos servirá de tropeço.

 

  Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel?

 

 Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei." Ezequiel 18:30-32

 

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados" Atos 3:19

 

Era necessário que os líderes da IASD se arrependessem de seu pecado de resistir à luz dada pelo Senhor a Waggoner e Jones, e a aceitar. Somente desta forma seriam guardados pelo Senhor de perderem também sua fé nos testemunhos por Ele dados à Sua serva - Ellen G. White. Perguntamos: fizeram eles isto? Os testemunhos de Ellen G. White, nos respondem esta pergunta:

 

""Queridos irmãos em posições de responsabilidade na obra, o Senhor tem uma disputa convosco. A razão não necessito em especial de explicar, foi-vos apresentada repetidamente. ... O mesmo espírito se tinha manifestado em Battle Creek. Os que em Minneápolis abriram as portas dos seus corações à tentação e que levaram o mesmo espírito para a sua casa, reconhecerão, mesmo se não for agora, então, num futuro próximo, que resistiram ao espírito Santo e que se opuseram ao espírito da graça."

 

"Arrepender-se-ão? Ou obstinarão os seus corações, opondo-se às provas?"" Avondale, Cooranbong, 16.02.1896 (Minneápolis, 1888, pág. 54)

 

"Pena e palavras não são capazes de interpretar a minha tristeza. Sem dúvida atuou o irmão ... assim como Arão a respeito dos homens, que, desde Minneápolis, sempre se opuseram às obras de Deus. Não se arrependeram de se terem oposto à luz e às provas." Sunnyside, Cooranbong, 27.08.1898 (Minneápolis, 1888, pág. 54)

 

Os textos mostram que Ellen G. White escreveu durante anos a fio demonstrando que não houve arrependimento. O último texto que apresentamos acima, é datado de 1898, portanto dez anos após a assembléia de Mineápolis, e mostra que os líderes adventistas não haviam se arrependido de terem negado à luz divina trazida por Waggoner e Jones.

 

Ao não se arrependerem de seu pecado de haver negado à luz a eles oferecida em 1888, os líderes adventistas estavam a rejeitar o único meio pelo qual Deus poderia intervir de modo a evitar que estes continuassem sua caminhada rumo à rejeição dos testemunhos dados por Deus a Ellen G. White e a conseqüente apostasia. Então, devido à sua obstinada negação dos testemunhos de advertência, Deus passou a inspirar Ellen G. White a escrever outra sorte de testemunhos, estes sim, com mensagens muito mais tristes, retratando a situação dos líderes da IASD:

 

"A voz de Battle Creek, que tem sido considerada como autoridade para determinar de que maneira deve ser efetuada a obra, não é mais a voz de Deus." Manuscript Releases, vol. 17, pág. 185. (1896) / Eventos Finais, pág. 45

 

"Faz alguns anos que eu considerava a Associação Geral como a voz de Deus." Manuscript Releases, vol. 17, pág. 216 (1898) / Eventos Finais, pág. 45

 

"A igreja está na condição laodiceana. A presença de Deus não está no meio dela." Notebook Leaflets, vol. 1, pág. 99. (1898) / Eventos Finais, pág. 44

 

Como aqueles líderes recusaram-se persistentemente a aceitar as mensagens que o Céu lhes enviava, Deus mesmo informou através da Sua serva que não reconhecia mais a autoridade deles como estando a expressar Sua vontade. Os testemunhos transcritos acima, datados de 1896 e 1898, respectivamente, não nos dão margem a dúvidas quanto a isto. Estes comprovam ainda que os líderes da IASD já estavam caminhando para cumprir o que havia sido revelado por Deus à Sua serva oito anos antes, em 1890. Transcrevemos abaixo o testemunho que traz esta importante revelação:

 

"O inimigo porá em operação tudo para desarraigar a confiança dos crentes nas colunas de nossa fé nas mensagens do passado, as quais nos colocaram sobre a elevada plataforma da verdade eterna, e firmaram e imprimiram cunho à obra.

Preciosa é a verdade para este tempo; mas aqueles cujo coração não foi quebrantado mediante o cair sobre a rocha Cristo Jesus, não verão nem compreenderão o que é a verdade. Aceitarão o que lhes agrada às idéias, e começarão a manufaturar outro fundamento que não seja aquele que foi posto. Lisonjearão sua própria vaidade e estima, pensando que são capazes de remover as colunas de nossa fé, e substituindo-as por outras de sua própria invenção." Manuscrito 28, 1890 / Mensagens Escolhidas, Vol. 2, 389

 

O testemunho acima atesta que os professos adventistas não verdadeiramente convertidos ainda iriam mais longe em seu caminho de apostasia, trabalhando para "desarraigar a confiança dos crentes nas colunas de nossa fé nas mensagens do passado, as quais nos colocaram sobre a elevada plataforma da verdade eterna". Disto trataremos com vagar mais adiante neste compêndio. O texto, escrito em 1890, afirma que as mensagens dadas no passado colocaram os crentes sobre a plataforma da verdade eterna. Esta afirmação é muito esclarecedora para nosso estudo. Vimos nas seções anteriores deste compêndio que a crença dos adventistas até este ano, revelada por Deus à Ellen G. White, sobre a "Divindade", era:

 

- Há um Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, dotado pelo Pai de ilimitado poder e comando. Jesus e o Pai criaram, conjuntamente, o homem à Sua imagem. Cristo era um com o Eterno Pai, em natureza, caráter e propósito, o Único Ser em todo o universo que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus;

 

- O espírito Santo é o espírito do Pai, soprado por Jesus quando os homens pedem ao Pai em oração. Não é um Deus;

 

- Não há nenhum outro Deus criador diferente de Deus o Pai e de Jesus Cristo.

 

Se foram as mensagens do passado, anteriores portanto a 1890, ano em que este testemunho foi escrito, que estabeleceram as colunas da fé e colocaram os crentes sobre a plataforma da verdade eterna, e a crença dos adventistas nesta época, decorrente da aceitação de tais mensagens é de que existem Deus, o Pai e Seu Filho Jesus Cristo, também Deus, não havendo nenhum outro, temos que a plataforma da verdade eterna sobre o tema "Divindade" é esta. Não há lugar para se efetuar acréscimo neste entendimento, uma vez que a plataforma da verdade estabelecida por Deus é tão eterna e imutável quanto Sua Lei - os Dez Mandamentos.

 

Voltando à nossa análise histórica, temos que, no mesmo ano de 1898, enquanto Ellen G. White ainda se encontrava na Austrália e escreveu os testemunhos que vimos a pouco, outro livro de sua autoria foi publicado nos Estados Unidos, com o título "The Desire of Ages", traduzido posteriormente para o português com o título "O Desejado de Todas as Nações". Trazemos à lume alguns textos extraídos deste livro que trazem afirmações concernentes ao tema "Divindade":

 

"Desde os dias da eternidade o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era "a imagem de Deus", a imagem de Sua grandeza e majestade, "o resplendor de Sua glória". Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra entenebrecida pelo pecado, para revelar a luz do amor de Deus, para ser "Deus conosco"." O Desejado de Todas as Nações, pág. 19

 

Deus revelou através de Sua serva que Jesus era um com o Pai desde os dias da eternidade, corroborando com o que já havia sido revelado e confirmado pelos testemunhos dados nos anos anteriores. O texto também afirma que Cristo é o "resplendor" da glória do Pai, mostrando que o Pai é o esplendor da glória e Cristo reflete esta glória, por isso Ele é o "resplendor" da glória. Esta verdade expressa por Ellen G. White em seu livro confirma o entendimento que os adventistas já possuíam desde a publicação do livro "Primeiros Escritos", em 1858, de que o Pai concedeu a Cristo tudo o que Ele possui, tanto o Seu poder, quanto o "resplender a Sua glória", e mesmo a prerrogativa de ter vida em Si mesmo:

 

"Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo." João 8:26

 

Ainda segundo o texto do livro "O Desejado de Todas as Nações" acima, Jesus veio à Terra para revelar a Deus, porque ele era a expressa imagem de Seu Pai. Um segundo texto deste livro nos traz informações importantes sobre o tema em questão:

 

"No princípio, Deus Se manifestava em todas as obras da criação. Foi Cristo que estendeu os céus, e lançou os fundamentos da Terra. Foi Sua mão que suspendeu os mundos no espaço e deu forma às flores do campo. "Ele converteu o mar em terra firme." Sal. 66:6 "Seu é o mar, pois Ele o fez." Sal. 95:5. Foi Ele quem encheu a Terra de beleza, e de cânticos o ar. E sobre todas as coisas na terra, no ar e no firmamento, escreveu a mensagem do amor do Pai. " O Desejado de Todas as Nações, pág. 20

 

No mesmo livro, escrito em 1898, Deus confirmou aos adventistas que Cristo é Deus Criador. Este livro foi impresso pelos adventistas do sétimo dia, o que comprova que ele exprimia o que eles criam nesta época. Assim, verificamos que os adventistas em 1898 continuavam crendo que Jesus era Deus criador, tal como criam desde 1858, quarenta anos antes, quando foi impresso o livro "Primeiros Escritos", comprovando que eles não eram arianos, como algumas pessoas nos dias de hoje insistem em afirmar. Lembramos que o termo "arianos" é utilizado para denominar os seguidores das idéias de Ário, que não cria na divindade de Cristo. Como os adventistas criam que Jesus Cristo é Deus, não eram arianos.

 

Outro texto que consideramos valioso para fins de análise neste compêndio é apresentado a seguir:

 

"O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, formulado depois da queda de Adão. Foi a revelação "do mistério que desde tempos eternos esteve oculto". Rom. 16:25. Foi um desdobramento dos princípios que têm sido, desde os séculos da eternidade, o fundamento do trono de Deus. Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia de Satanás, e da queda do homem mediante o poder enganador do apóstata. Deus não ordenou a existência do pecado. Previu-a, porém, e tomou providências para enfrentar a terrível emergência. Tão grande era Seu amor pelo mundo, que concertou entregar Seu Filho unigênito "para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna". João 3:16." O Desejado de Todas as Nações, pág. 22

 

As afirmações trazidas no texto acima são bastante esclarecedoras. Foi revelado para Ellen G. White que o Pai e o Filho sabiam da apostasia de Satanás desde o princípio. Foram eles que prepararam o plano da redenção, o "mistério que desde tempos eternos esteve oculto". Não havia um terceiro Deus junto com eles. Percebemos que Deus não se contradiz. Dentro da análise histórica que estamos realizando, verificamos que, desde 1858, Deus vinha revelando para os adventistas do sétimo dia que há Deus, o Pai, e o Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, não havendo mais nenhum outro Deus.

 

Algumas pessoas se utilizam de um texto deste livro, que consta na página 671, para afirmar que Deus estaria revelando um terceiro Deus para os adventistas. Isto não é verdade, pois se assim o fosse, Deus estaria contradizendo a tudo o que havia revelado aos adventistas do sétimo dia sobre o tema  "Divindade" a pelo menos quarenta anos. Pergunto: você poderia acreditar em um Deus que durante quarenta anos afirma algo e depois deste tempo desmente o que disse? A Palavra de Deus afirma expressamente que Deus não é homem para que minta:

 

"Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa." Números 23:19

 

A mesma palavra de Deus afirma que Deus não muda:

 

"Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança." Tiago 1:17

 

Estamos certos de que Deus não mentiu durante mais de quarenta anos para os adventistas do sétimo dia; por isso não mudou o que já havia revelado sobre Ele após estar conduzindo-os por quarenta anos. Seria tão impossível Deus mudar o que havia revelado durante mais de quarenta anos aos adventistas do sétimo dia sobre si mesmo quanto o seria mudar Ele a Lei que Ele mesmo pronunciou diante dos israelitas no Monte Sinai.  O que pode ter ocorrido é que os homens se equivocaram no entendimento, iludidos pelo inimigo, e vieram a pensar que Deus mudou o que havia revelado sobre a "Divindade" durante mais de quarenta anos. Neste caso, o problema não está com Deus, e sim com o grupo de homens que estão com o entendimento equivocado.

 

O texto ao qual nos estamos referindo, que consta na página 671 deste livro, será analisado em detalhes no capítulo 3 deste compêndio.

 

Ainda sobre este livro - Desejado de Todas as Nações, algumas pessoas afirmam que ele marcou uma mudança no entendimento adventista sobre Cristo devido à seguinte passagem:

 

"Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada. "Quem tem o Filho tem a vida." I João 5:12. A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente." O Desejado de Todas as Nações, pág. 530

 

Segundo algumas pessoas, a afirmação "em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada", gerou uma comoção e uma mudança do pensamento oficial adventista da época, que segundo eles era de que Cristo não era totalmente Deus. Isto não é verdade. Como vimos ao início desta seção, o livro "Primeiros Escritos", impresso pelos adventistas em já 1858 e que representava seu pensamento oficial, afirmava categoricamente que Cristo é Deus no mais alto sentido, porque era Criador, juntamente com o Pai:

 

"Satanás foi outrora um honrado anjo no Céu, o primeiro depois de Cristo. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. Sua testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, seu porte nobre e majestoso. Mas quando Deus disse a Seu Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem" (Gên. 1:26), Satanás teve ciúmes de Jesus. Ele desejava ser consultado sobre a formação do homem, e porque não o foi, encheu-se de inveja, ciúmes e ódio. Ele desejou receber no Céu a mais alta honra depois de Deus." Primeiros Escritos, pág. 145

 

Também analisamos um texto extraído do livro "Patriarcas e Profetas", publicado pelos adventistas do sétimo dia em 1890, que afirma o mesmo, confirmando o que Deus já havia revelado antes de 1858 para os adventistas:

 

"O Rei do Universo convocou os exércitos celestiais perante Ele, para, em sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação que Este mantinha para com todos os seres criados. O Filho de Deus partilhava do trono do Pai, e a glória do Ser eterno, existente por Si mesmo, rodeava a ambos. Em redor do trono reuniam-se os santos anjos, em uma multidão vasta, inumerável - "milhões de milhões, e milhares de milhares" (Apoc. 5:11), estando os mais exaltados anjos, como ministros e súditos, a regozijar-se na luz que, da presença da Divindade, caía sobre eles. Perante os habitantes do Céu, reunidos, o Rei declarou que ninguém, a não ser Cristo, o Unigênito de Deus, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos, e a Ele foi confiado executar os poderosos conselhos de Sua vontade. O Filho de Deus executara a vontade do Pai na criação de todos os exércitos do Céu; e a Ele, bem como a Deus, eram devidas as homenagens e fidelidade daqueles." Patriarcas e Profetas, pág. 36

 

O texto escrito em 1890 declara que Jesus, o Filho de Deus, "partilhava do trono do Pai, e a glória do Ser eterno, existente por si mesmo, rodeava a ambos". Repare que o texto mesmo afirma também que "o Filho de Deus executara a vontade do Pai na criação de todos os exércitos do Céu". Este texto prova que Jesus é Deus, porque foi Ele quem criou os seres celestiais. O texto ainda atribui a Cristo a onisciência, uma prerrogativa exclusiva da Divindade, porque mostra que Deus Pai declarou que "ninguém, a não ser Cristo, poderia penetrar inteiramente em Seus propósitos". Ninguém que não seja um Deus pode criar seres inteligentes e foi exatamente isto que Cristo fez, segundo o texto acima. Note também que este texto é parte de uma obra (O Desejado de Todas as Nações) revelada por Deus à Sra. White. Portanto, em primeira instância, esta é a posição de Deus dada aos adventistas do sétimo dia. Assim, antes de qualquer análise da posição de pastores quanto ao tema, esta era a posição oficial dos verdadeiros adventistas do sétimo dia. Além disso, o fato de que este livro foi impresso pela casa publicadora dos adventistas do sétimo dia, prova que eles aceitavam o que nele estava escrito como sendo revelação divina, sendo portanto que o que está escrito neste livro reflete a posição oficial dos adventistas do sétimo dia nesta época.

 

Portanto, o texto:

 

"Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada. "Quem tem o Filho tem a vida." I João 5:12. A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente." O Desejado de Todas as Nações, pág. 530

 

reflete o pensamento que os adventistas do sétimo dia tinham sobre Cristo desde 1858. Nada havia mudado. Porque, criam os adventistas desta época, era Cristo Deus? Um outro texto escrito neste próprio livro esclarece:

 

"Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. "Nada faço por Mim mesmo" (João 8:28), disse Cristo; "o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai." João 6:57 "Eu não busco a Minha glória"  (João 8:50), mas "a dAquele que Me enviou" João 7:18. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar." O Desejado de Todas as Nações, pág. 21

 

Segundo a revelação dada no próprio livro "O Desejado de Todas as Nações", "Cristo recebeu de Deus" todas as coisas, inclusive o ter vida em Si mesmo, porque o texto afirma: "Eu vivo pelo Pai". Como este livro, tendo sido escrito por Ellen G. White, que os adventistas criam ser inspirada por Deus, representava a posição dos adventistas do sétimo dia, percebemos que, segundo a revelação nele mostrada, estes criam que:

 

"Cristo é Deus, tendo vida em si mesmo, porque recebeu do Pai o ter a vida em si mesmo". Esta crença está em harmonia com a revelação bíblica sobre este tema, que afirma:

 

"Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo." João 5:26

 

"Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um." João 10: 29, 30

 

O Pai "concedeu" ao Filho ter vida em Si mesmo. Se o Pai não houvesse concedido ao Filho ter vida em si mesmo, este não a teria. O Pai também deu ao Filho ser Um com Ele, segundo a Bíblia. Uma vez que quem possui vida em si mesmo é Deus, temos que Jesus, o Filho de Deus, é Deus porque o Pai concedeu a Ele ser Deus, quando o gerou, assim como Ele o é. Quando isto ocorreu? Está em um tempo tão distante que para nós é como se não houvesse tido começo. Por isso, o profeta Miquéias afirma que as origens de Cristo são desde os dias da eternidade:

 

"E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Miquéias 5:2

 

 

15.2.3 - Adulteração de testemunhos de Ellen G. White

 

 

Vimos, na seção anterior, que os líderes adventistas, devido ao fato de terem rejeitado a mensagem de 1888, foram caminhando mais e mais em direção à apostasia e à negação dos testemunhos de Ellen G. White. A pergunta que procuraremos responder nesta seção, é: Quão longe foram eles em sua apostasia? Podemos encontrar a resposta para esta pergunta ao analisar uma impressionante denúncia feita pelo Pr. A. T. Jones e lida perante a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia em Tahoma Park, Washington, D.C., em 27 de maio de 1909. Transcrevemos uma parte dela abaixo:

 

"A Exposição do Caso

 

É justo que primeiramente relate o acontecimento.

 

Em 1902 eu discordei do procedimento, atitude e propostas de alguns membros da Comissão Executiva da Conferência Geral de então. Eu tinha todo o direito de fazê-lo.

 

Na primavera de 1903, participando da C.G. em sessão, eu me opus à proposta de uma nova constituição, pela qual seria estabelecida a nova ordem em contraposição àquela de 1901. Eu tinha também todo o direito de fazê-lo.

 

No outono do ano de 1903 eu fui ao Sanatório de Battle Creek para ensinar a Bíblia, para pregar o Evangelho e ser contratado para os trabalhos gerais daquela Instituição. Ao proceder assim, eu também tinha plenos direitos. Enquanto ainda eu discordava da mudança da Ordem em oposição à de 1901, eu simplesmente discordava, sem fazer qualquer oposição a esta nova ordem de coisas. Eu não desejada me opor radicalmente a ela. Além disto, não havia nenhuma relação com minha posição ou com meu trabalho, que requeresse algum rumo positivo neste propósito.

 

Isto, todavia, não satisfez a alguns que haviam assumido os mesmos propósitos e a mesma posição da CG. Portanto, duas vezes eu fui desafiado por estes, em nome "do povo", no sentido de que eu deveria deixar o povo conhecer minha posição, porque minha "atitude geral" tinha "confundido grandemente muitos daqueles de nosso povo." É por vossa causa que eu comunico os fatos, a fim de que possais verificá-los, se assim o desejardes.

 

O primeiro destes desafios não foi dirigido diretamente a mim. Se acaso tivesse sido, então, em vista da origem do mesmo, o povo teria conhecido a minha posição um ano ou mais antes de eu comunicar-lhe.

 

Aquele desafio partiu de W. C. White, escrito de uma maneira que incluía sua mãe [Ellen G. White] no comunicado, no qual o relato foi feito, e o meu nome foi mencionado desta maneira: nos propomos que nada se faça para dar a ti e ao ancião A. T. Jones influência sobre o povo, até que o povo saiba vossa posição. Eu repito, se o desafio tivesse sido dirigido diretamente a mim, o povo teria conhecido exatamente a minha posição um ano ou mais antes de eu comunicá-lo. Mas eu não tinha disposição alguma de abandonar o meu propósito e aceitar um desafio ainda que nominal e assim eu não disse nada.

 

A segunda intimação em defesa do direito do povo a fim de saber qual era a minha posição por causa da "perplexidade" do povo com respeito a minha atitude geral, partiu do presidente da Conferência Geral. E eu respondi a ela por meio de um panfleto, "Um pouco de História, Experiência e Fatos" - de março de 1906. Esta declaração dirigida ao povo a respeito da minha posição não satisfez os membros da comissão da Conferência Geral; e aquela comissão deliberou emitir uma "Declaração" (final de Maio de 1906) na qual me pediram "Provas" a respeito do que eu havia escrito. Eles exigiram que eu lhes contasse em que me baseava para redigir tal coisa.

 

No panfleto "Palavra Final e uma Confissão" (julho de 1906) eu apresentei a prova e disse o motivo*.

 

* Em conexão com isto há uma outra Confissão, a qual, até o presente momento eu não tive chance alguma de fazê-lo devidamente. Sucedeu assim:

 

As últimas três páginas do meu panfleto "Palavra Final" são compostas de uma re-impresão de um artigo do Southern Watchman de 1 de Maio de 1906, intitulado "Liberdade Religiosa", por Ellen G. White. Agora eu sei que este artigo nunca foi escrito pela irmã White; nenhuma palavra sequer. Aquele artigo foi escrito pelo ancião George Fifield, em 1903; e foi pela primeira vez impresso com seu nome. Posteriormente ele foi publicado apenas com suas iniciais; mais tarde foi reimprimido sem o nome ou as iniciais; então alguém o apanhou e lhe acrescentou o nome da irmã White, e assim foi publicado no artigo "Liberdade Religiosa" no Southern Watchman de 1 de Maio de 1906. Eu não tinha conhecimento de nenhum destes fatos na ocasião em que apareceu o artigo no Watchman, pois eu nunca o tinha visto antes, e assim eu o aceitei como se fosse de autoria da "irmã White". Mas agora que eu sei que nenhuma palavra sequer (deste artigo) foi escrita por ela, é de direito de todos que leram o artigo assim como foi impresso no meu panfleto, que sejam esclarecidos. Qualquer um que deseja informações mais detalhadas deve escrever para a "Review and Herald", ou para A. G. Daniels, Presidente da Conferência Gearal dos A.S.D., Tahoma Park, Washington, D.C.  e pedir que publiquem na "Review and Herald" a declaração do caso intitulado "Uma outra confissão por A. T. Jones", que lhes foi enviada no outono de 1907, tão logo eu vim a descobrir." Um apelo para o Evangelismo Cristão - Alonzo T. Jones - Apresentado perante a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia em Tahoma Park, Washington, D.C. em 27 de Maio de 1909.

 

Contrariamente quem sabe a tudo o que poderíamos imaginar sobre as intenções dos líderes da IASD daquela época, percebemos pelo relato acima que estes chegaram inclusive a publicar artigos que Ellen G. White nunca havia escrito apresentando-a como autora de tais textos. Talvez, ao se deparar com esta informação, você, irmão leitor, pense: "Será isto verdade? Como pode ter acontecido? Porque Deus não deu a Ellen G. White um testemunho para que ela esclarecesse a verdade antes que um artigo não escrito por ela fosse publicado com o seu nome, levando muitos adventistas a serem enganados? A resposta para esta pergunta está em um de seus manuscritos:

 

"Há decidido testemunho a ser dado por todos os nossos pastores em todas as nossas igrejas. Deus tem permitido ocorrerem apostasias a fim de mostrar quão pouco se pode confiar no homem. Devemos olhar sempre a Deus; Sua palavra não é Sim e Não, mas Sim e Amém." Manuscrito 148. / Mensagens Escolhidas, Vol. 2, 395

 

Deus revelou à Sua serva que Ele permite que ocorram apostasias para mostrar quão pouco se pode confiar no homem como guia. Não devemos confiar unicamente na guia de homens, sejam eles pastores departamentais ou anciãos experimentados. Segundo o testemunho, "Devemos olhar sempre a Deus; Sua palavra não é Sim e Não, mas Sim e Amém."

 

Outra pergunta que pode vir à sua mente neste momento é: Se Deus permitiria que houvessem apostasias no seio da IASD, em quem devo confiar agora? Quais dos textos e obras que nos são apresentados atualmente como de autoria de Ellen G. White o são de fato? Como posso evitar ser enganado, acreditando em textos que me são apresentados como tendo sido escritos pela serva do Senhor, que ela nunca escreveu? Um conselho bíblico bastante lúcido sobre o tema pode nos auxiliar neste particular:

 

"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva." Isaías 8:20

 

O conselho bíblico acima é infalível. Se algum testemunho contradisser a palavra de Deus, ele não pode ser aceito. Ao contrário, deve ser rejeitado. Disto a própria serva do Senhor nos adverte:

 

"A Bíblia deve ser o vosso conselheiro. Estudai-a e os Testemunhos que Deus tem dado; pois eles nunca contradizem Sua Palavra." Carta 106, 1907 / Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 32

 

O texto acima mostra que devemos comparar os testemunhos com a Bíblia. Os "Testemunhos que Deus tem dado" "nunca contradizem" a Palavra de Deus. Já os testemunhos que os homens colocaram como tendo sido escritos por Ellen G. White e que não foram escritos por ela, como o que vimos a pouco, não são confiáveis, pois não foram dados por Deus.

 

"Se os Testemunhos não falarem de acordo com a Palavra de Deus, rejeitai-os. Cristo e Belial não se unem." Testimonies, vol. 5, pág. 691 / Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 32

 

Creio que, sabendo que os líderes da IASD chegariam a uma apostasia tal que forjariam escritos de Ellen G. White para levar o povo a pensar que ela estava em concordância com suas idéias apóstatas, Deus advertiu-nos através do testemunho acima a não aceitar qualquer artigo, testemunho, ou texto casual, apresentado como de autoria de Sua serva, cujo ensinamento não esteja em plena harmonia com a Palavra de Deus.

 

A adulteração de textos de Ellen G. White não necessariamente se restringiria ao campo de falsas indicações com vistas a prejudicar um ancião em particular, como visto a pouco no texto de Alonzo T. Jones que transcrevemos. Poderia se estender ao campo doutrinário, com o objetivo de levar os adventistas a mudar suas crenças. Deus inclusive instruiu a Sua serva sobre esta possibilidade:

 

"O inimigo das almas tem procurado introduzir a suposição de que uma grande reforma devia efetuar-se entre os adventistas do sétimo dia, e que essa reforma consistiria em renunciar às doutrinas que se erguem como pilares de nossa fé, e empenhar-se num processo de reorganização. Se tal reforma se efetuasse, qual seria o resultado? Seriam rejeitados os princípios da verdade, que Deus em Sua sabedoria concedeu à igreja remanescente. Nossa religião seria alterada. Os princípios fundamentais que têm sustido a obra neste últimos cinqüenta anos, seriam tidos na conta de erros. Estabelecer-se-ia uma nova organização. Escrever-se-iam livros de ordem diferente. Introduzir-se-ia um sistema de filosofia intelectual. Os fundadores deste sistema iriam às cidades, realizando uma obra maravilhosa. O sábado seria, naturalmente, menosprezado, como também o Deus que o criou. Coisa alguma se permitiria opor-se ao novo movimento. Ensinariam os líderes ser a virtude melhor do que o vício, mas, removido Deus, colocariam sua confiança no poder humano, o qual, sem Deus, nada vale. Seus alicerces se fundariam na areia, e os vendavais e tempestades derribariam a estrutura." Special Testimonies Serie B, n 2, págs. 51-59, 1904 / Mensagens Escolhidas, Vol. 1, págs. 204, 205

 

No testemunho acima, percebemos um alerta para a obra que Satanás estava tentando executar dentro da IASD. Satanás queria induzir na mente de líderes que era necessária uma reforma dentro do movimento adventista, renunciando as doutrinas que são os pilares da fé. Quais eram as doutrinas pilares da fé, segundo o texto? Eram elas "Os princípios fundamentais que têm sustido a obra neste últimos cinqüenta anos". As doutrinas pilares da fé, em 1904, eram as mesmas que existiam a cinqüenta anos, ou seja, desde 1854. Aqui comprovamos a veracidade do testemunho que lemos logo ao início deste compêndio:

 

"A verdade agora é tornada tão clara que todas a podem ver, e abraçar, se quiserem; mas foi necessário muito trabalho para trazê-la à luz como está, e tão árduo labor jamais terá de ser realizado outra vez para tornar a verdade clara."  MS 2, 26 de agosto de 1855

 

As doutrinas pilares da fé incluem o entendimento sobre o tema "Divindade". Conforme constatamos pela análise histórica feita até aqui, o entendimento adventista sobre o tema "Divindade", sustido desde 1854 (portanto mantido durante cinqüenta anos, como sustenta o testemunho que estamos analisando) era o seguinte:

 

- Há um Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, dotado pelo Pai de ilimitado poder e comando. Jesus e o Pai criaram, conjuntamente, o homem à Sua imagem. Cristo era um com o Eterno Pai, em natureza, caráter e propósito, o Único Ser em todo o universo que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus;

 

- O espírito Santo é o espírito do Pai, soprado por Jesus quando os homens pedem ao Pai em oração. Não é um Deus;

 

- Não há nenhum outro Deus criador diferente de Deus o Pai e de Jesus Cristo.

 

Percebemos que a verdade dada por Deus aos adventistas e sustida durante cinqüenta anos nada tinha que ver com a crença em um trindade. A doutrina da trindade atesta que há um Deus espírito Santo. Entretanto, percebemos que, segundo a revelação divina dada para os adventistas do sétimo dia desde 1854 até 1904, há somente Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo, também Deus, não havendo nenhum outro Deus. Ellen G. White atesta que a verdade que os adventistas conheciam por esta época provinha da revelação divina:

 

"Os pontos fundamentais de nossa fé da forma como cremos hoje foram firmemente estabelecidos. Ponto após ponto foi claramente definido, e toda a irmandade está em harmonia. Todos os crentes foram unidos na verdade. Existem aqueles que vem com doutrinas estranhas, mas nós nunca estaríamos com medo de enfrentá-los." Manuscrito 135, 1903

 

Assim, o fato de não haver um Deus espírito Santo havia sido revelado por Deus, e não era simplesmente o pensamento de um grupo de adventistas.

 

Estávamos tratando de analisar o testemunho que mostra que Satanás procuraria inculcar na mente de líderes do movimento adventista a necessidade de se mudar as doutrinas pilares da fé. Apresentamos novamente o testemunho abaixo a fim de reavivar a memória e prosseguir com a análise:

 

"O inimigo das almas tem procurado introduzir a suposição de que uma grande reforma devia efetuar-se entre os adventistas do sétimo dia, e que essa reforma consistiria em renunciar às doutrinas que se erguem como pilares de nossa fé, e empenhar-se num processo de reorganização. Se tal reforma se efetuasse, qual seria o resultado? Seriam rejeitados os princípios da verdade, que Deus em Sua sabedoria concedeu à igreja remanescente. Nossa religião seria alterada. Os princípios fundamentais que têm sustido a obra neste últimos cinqüenta anos, seriam tidos na conta de erros. Estabelecer-se-ia uma nova organização. Escrever-se-iam livros de ordem diferente. Introduzir-se-ia um sistema de filosofia intelectual. Os fundadores deste sistema iriam às cidades, realizando uma obra maravilhosa. O sábado seria, naturalmente, menosprezado, como também o Deus que o criou. Coisa alguma se permitiria opor-se ao novo movimento. Ensinariam os líderes ser a virtude melhor do que o vício, mas, removido Deus, colocariam sua confiança no poder humano, o qual, sem Deus, nada vale. Seus alicerces se fundariam na areia, e os vendavais e tempestades derribariam a estrutura." Special Testimonies Serie B, n 2, págs. 51-59, 1904 / Mensagens Escolhidas, Vol. 1, págs. 204, 205

 

A pergunta é: teria Satanás êxito em levar a obra predita no testemunho acima a cabo? Encontramos a triste resposta para esta pergunta em outro testemunho:

 

"O inimigo porá em operação tudo para desarraigar a confiança dos crentes nas colunas de nossa fé nas mensagens do passado, as quais nos colocaram sobre a elevada plataforma da verdade eterna, e firmaram e imprimiram cunho à obra....

Preciosa é a verdade para este tempo; mas aqueles cujo coração não foi quebrantado mediante o cair sobre a rocha Cristo Jesus, não verão nem compreenderão o que é a verdade. Aceitarão o que lhes agrada às idéias, e começarão a manufaturar outro fundamento que não seja aquele que foi posto. Lisonjearão sua própria vaidade e estima, pensando que são capazes de remover as colunas de nossa fé, e substituindo-as por outras de sua própria invenção." Manuscrito 28, 1890 / Mensagens Escolhidas, Vol. 2, 389

 

Tendo rejeitado a mensagem da Justificação pela Fé de 1888 e as exortações ao arrependimento dadas por Deus através de Sua serva ao longo dos anos, os líderes da IASD tornaram-se a uma mais ousados até iniciarem a obra de escrever textos e atribuí-los a Ellen G. White, como vimos a pouco. Pelo testemunho acima, percebemos que os líderes apóstatas também começariam a "manufaturar", ou seja, fabricar, "outro fundamento que não aquele que foi posto". Eles também lisonjeariam "sua própria vaidade e estima, pensando que são capazes de remover as colunas de nossa fé, e substituindo-as por outras de sua própria invenção". Que triste! Estava predito que os líderes trabalhariam para mudar as crenças que Deus havia revelado e que eles haviam mantido durante os primeiros cinqüenta anos de existência do movimento adventista. Como poderia ser isto? Como podemos constatar que isto foi feito? Como não estar engolfado nestes erros? A resposta para estas perguntas é conseguida analisando o que atualmente é escrito sobre o tema "Divindade". Segundo o que alguns homens que se dizem teólogos e são adventistas professos afirmam, Ellen G. White teria passado a mudar sua crença sobre o tema "Divindade", passando a crer gradativamente na doutrina da trindade até aceitá-la por completo, por volta de 1907. Para embasar sua firmação, citam alguns textos, que segundo eles foram escritos pela pena da irmã White. Sabendo que ainda quando Ellen G. White estava viva, já se fazia publicação de texto colocando-a como autora, quando ela não o era em realidade, conforme vimos na denúncia do Pr. Alonzo T. Jones que analisamos, e sabendo que Deus já havia revelado à ela que os líderes da IASD se empenhariam em fabricar outro fundamento doutrinário, renunciando às doutrinas que Ele lhes dera, analisaremos os testemunhos mais citados por estes teólogos a fim de verificar se são autênticos ou não, para que não sejamos enganados. Nesta análise, verificaremos se prova-se ser o espírito Santo um Deus, como advoga a doutrina da trindade, e, por conseguinte, os teólogos adventistas que a defendem. O primeiro texto que trazemos para análise é datado de 1900:

 

"As três grandes potestades do céu são testemunhas, são invisíveis, mas estão presentes." MS, 57, 1900 - (SDABC, Vol. 6, pág. 1074)

 

A pergunta a ser respondida é: o texto acima prova que existe um terceiro Deus no Céu, chamado espírito Santo? A chave para responder esta pergunta está em compreender o que significa a palavra "potestade", pois o texto afirma que a há três grandes potestades no Céu. A Bíblia nos esclarece este significado:

 

"...Jesus Cristo; o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes." I Pedro 3:21, 22

 

A Bíblia coloca que as potestades estão subordinadas a Cristo. Ora, um Deus não é subordinado a ninguém. Assim, se as potestades são subordinadas a Cristo, não são Deus. Outro texto bíblico também aclara que as potestades não são Deus:

 

"porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes." Efésios 6:2

 

O apóstolo Paulo, no texto acima, afirma que a nossa luta (dos homens) é contra as potestades. Ora, contra quem lutamos? Contra Satanás e seus anjos. São eles que estão classificados neste texto como "potestades". Percebemos assim que o termo "potestade" não apenas não se refere a Deus, como pode ser utilizado sem qualquer problema para designar anjos. Decorre então que o testemunho sob análise não prova a existência de três deuses no Céu, como advoga a doutrina da trindade.

 

O segundo texto que analisaremos, é descrito a seguir:

 

"A obra é delineada frente a cada alma que tem confessado sua fé em Jesus Cristo mediante o batismo, e se tem convertido em um receptáculo da promessa que procede das três pessoas da divindade: O Pai, o Filho e o espírito Santo." MS, 57, 1900. (SDABC, Vol. 6, pág. 1074) 

 

Ao compararmos o texto acima com o escrito atribuído à Ellen G. White de mesma referência no idioma inglês, verifica-se que a tradução não confere. Assim, para efeito de análise do texto, temos que considerar a tradução correta. O texto original inglês se apresenta da seguinte forma:

 

"The work is laid out before every soul that has acknowledged his faith in Jesus Christ by baptism, and has become a receiver of the pledge from the three persons--the Father, the Son, and the Holy Spirit." MS 57, 1900 / S. D. A. Bible Commentary Vol. 6, pág. 1074

 

A tradução correta do original inglês, esta sim que deve ser analisada, fica da seguinte forma:

 

"A obra é delineada frente a cada alma que tem confessado sua fé em Jesus Cristo mediante o batismo, e se tem convertido em um receptáculo da promessa que procede das três pessoas - O Pai, o Filho e o espírito Santo." MS, 57, 1900. (SDABC, Vol. 6, pág. 1074) 

 

Observe que o texto original não possui a palavra "divindade", atribuída ao texto por alguns teólogos na tradução para o português. A tradução do texto original conforme apresentada acima não prova em absoluto a existência de três deuses. Afirma apenas que o crente em Cristo recebe uma promessa de três pessoas. Pessoas não são necessariamente Deus. Eu e você somos pessoas e nem por isso somos deuses. Lembremo-nos que, para provar a existência de um terceiro Deus, o texto deve ser enfático, tal como foram todos os textos que Deus deu aos adventistas por 50 anos, revelando-lhes que há um Deus, o Pai, e um Filho de Deus, Jesus Cristo, que também é Deus, não havendo nenhum outro Deus.

 

O terceiro texto que analisaremos está transcrito abaixo:

 

O Pai, o Filho e o espírito Santo, poderes infinitos e oniscientes, recebem aqueles que verdadeiramente entram em relação de concerto com Deus. Eles estão presentes em cada batismo, para receber os candidatos que tem renunciado o mundo e tem recebido Cristo no templo da alma.” MS 27 ½ - 1900 / SDABC, Vol 6, pág. 1075

 

Este texto é categórico. Atribui ao espírito Santo a "onisciência", prerrogativa que somente um Deus possui. Sua referência é única entre os escritos de Ellne G. White. Aparece apenas na referência citada acima (SDABC, Vol. 6, pág. 1075), e não temos acesso a todo o texto original. Seria este um texto inspirado por Deus, ou um texto forjado por líderes apóstatas da IASD? Lembremo-nos que vimos a pouco que Deus revelou à Sua serva que os homens fabricariam outro fundamento. A única forma de saber isto é compará-lo com a verdade clara da Palavra de Deus e verificar se este está em harmonia com ela. Pois bem, o texto acima afirma que o espírito Santo é "onisciente". Ser "onisciente", significa conhecer tudo, inclusive a Deus o Pai. Somente um ser onisciente pode conhecer a Deus o Pai. Vamos então responder à uma pergunta: quem, segundo a Bíblia, é "onisciente", podendo conhecer inclusive a Deus, o Pai?

 

"Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar." Mateus 11:27

 

O texto bíblico é enfático - afirma que "ninguém conhece o Pai, senão o Filho". O que significa a palavra ninguém? Significa que não pode haver nenhum outro. Para facilitar a compreensão, exemplificamos:

 

O professor, na sala de aula diz: "Ninguém, além do Joaozinho, pode apagar o quadro." Pergunto: segundo o que disse o professor, quem, além do Joaozinho, pode apagar o quadro? A resposta é óbvia: ninguém. Segundo o que disse o professor, somente o Joaozinho pode apagar o quadro. Assim, quando a Bíblia afirma que "ninguém" conhece o Pai senão o Filho, isto significa que nenhum outro conhece o Pai, a não ser Seu Filho Jesus Cristo. Como um ser, para ser onisciente, tem que conhecer tudo, inclusive a Deus, o Pai, decorre que ninguém pode ser onisciente além do Filho e do Pai. Portanto, de acordo com a revelação bíblica, não pode haver um terceiro ser - espírito Santo - onisciente. Concluímos então que a mensagem do testemunho sob análise, atribuído a Ellen G. White, não confere com a revelação bíblica. Isto significa então que ele não é um testemunho vindo de Deus, pois os testemunhos verdadeiramente inspirados por Deus nunca contradizem a Bíblia:

 

"A Bíblia deve ser o vosso conselheiro. Estudai-a e os Testemunhos que Deus tem dado; pois eles nunca contradizem Sua Palavra." Carta 106, 1907 / Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 32

 

Um vez que o testemunho sob análise não confere com a Bíblia, temos que este trata-se de testemunho de homens, que não possui a iluminação divina. A ordem de Deus para nós em um caso como este é:

 

"Se os Testemunhos não falarem de acordo com a Palavra de Deus, rejeitai-os. Cristo e Belial não se unem." Testimonies, vol. 5, pág. 691 / Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 32

 

Portanto, diante de Deus, somos obrigados a rejeitar este testemunho por ser falso, uma vez que não fala de acordo com a Palavra de Deus.

 

Apresentamos a seguir mais dois textos atribuídos a Ellen G. White pelos teólogos para análise:

 

Quando aceitamos a Cristo, e no nome do Pai e do Filho e do espírito Santo prometemos servir a Deus, o Pai, Cristo e o espírito Santo - Os três dignitários e poderes do céu - empenham-se a Si mesmos de que todas as facilidades nos serão proporcionadas, se cumprirmos nosso voto batismal...” MS 85, 1901 /  SDABC, Vol. 6. 1075

 

O Pai, o Filho e o espírito Santo, os três santos dignitários do céu, declararam que eles fortalecerão os homens para vencer os poderes das trevas...” MS 92, 1901 / SDABC, vol. 5, pág. 1110

 

Colocamos ambos os textos conjuntamente para a análise porque não é difícil constatar que ambos não afirmam o que propõem os teólogos. Os textos afirmam que "Pai, Filho e espírito Santo três dignatários santos e são poderes do céu". Isto equivale a afirmar que são deuses? De maneira alguma. A palavra "santo" significa separado para um fim sagrado; desta forma, os anjos não caídos podem ser denominados de "santos". Tampouco a palavra dignatário significa "Deus". Finalmente, os anjos são também os poderes do Céu, tal como Satanás e seus anjos são os poderes das trevas. A Bíblia também afirma que os poderes estão subordinados a Cristo, que é Deus:

 

"...Jesus Cristo; o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes." I Pedro 3:21, 22

 

Ora, um Deus não está subordinado a ninguém. Desta forma, como mencionamos no parágrafo anterior, o texto acima não prova a existência de um Deus "espírito Santo", objetivo para o qual é este apresentado perante nós pelos teólogos.

 

O texto que se segue, atribuído a Ellen G. White, também é utilizado pelos teólogos no intuito de demonstrar que a serva do Senhor havia crido que havia um Deus espírito Santo:

 

Ele (Cristo) determinou dar Seu representante, a terceira pessoa da Divindade. Este dom não seria excedido...” SW Nov. 28. 1905 / SDABC, Vol. 6. pág. 1053

 

Ao verificarmos o texto correspondente atribuído a Ellen G. White escrito em inglês, constatamos que a tradução do texto, quando lido à luz do seu contexto dá margem a uma compreensão errônea. Apresentamos abaixo o texto com sua continuação em inglês e a tradução mais adequada:

 

"He determined to give His representative, the third person of the Godhead. This gift could not be excelled. He would give all gifts in one, and therefore the divine Spirit, that converting, enlightening, and sanctifying power, would be His donation. . . . " SW Nov. 28, 1905 / SDABC, Vol. 6. pág. 1053

 

Tradução correta:

 

Ele (Cristo) determinou dar Seu representante, a terceira pessoa a partir da Divindade. Este dom não poderia ser excedido. Ele daria todos os dons em um, e então o divino espírito, aquele poder convertedor, iluminador e santificados, seria Seu donativo. ...” SW Nov. 28. 1905 / SDABC, Vol. 6. pág. 1053

 

O termo "third person of the Godhead" que aparece no original inglês, quando analisado à luz das frases subseqüentes do texto, deve ser traduzido como "terceira pessoa a partir da Divindade". Isto porque logo nas frases seguintes, o espírito é denominado de "dom" e "poder". Um "dom" não é um Deus. Pode até ser um "poder", como o texto acima o denomina, mas nunca será um Deus. A Bíblia não diz que quando Deus pai enviou Cristo para morrer pela humanidade caída, Ele enviou um "dom" para os homens. A palavra "dom" aparece 25 vezes na Bíblia, e em nenhum momento é utilizada na Bíblia para denominar um Deus. Listamos abaixo as ocorrências da palavra "dom" na Bíblia para que o irmão leitor, caso tenha interesse, possa constatar esta informação:

 

Eclesiastes 3:13; Eclesiastes 5:19; João 4:10; Atos 2:38; Atos 8:20; Atos 10:45; Atos 11:17; Romanos 1:11; Romanos 5:15; Romanos 5:16; Romanos 5:17; Romanos 6:23; 1 Coríntios 1:7; 1 Coríntios 7:7; 1 Coríntios 13:2; 1 Coríntios 14:39; 2 Coríntios 9:15; Efésios 2:8; Efésios 3:7; Efésios 4:7; 1 Timóteo 4:14; 2 Timóteo 1:6; Hebreus 6:4; Tiago 1:17; 1 Pedro 4:10. 

 

Além do exposto acima, temos que na seqüência do testemunho sob análise, vemos que usa-se o termo "It" para referir-se ao espírito Santo:

 

"The Spirit was given as Christ had promised, and like a mighty rushing wind it fell upon those assembled, filling the whole house. It came with a fulness and power, as if for ages it had been restrained, but was now being poured forth upon the church, to be communicated to the world." SW Nov. 28, 1905 / SDABC, Vol. 6, pág. 1053

 

Tradução:

 

"O espírito foi dado, como Cristo havia prometido, e como um poderoso vendo ele (it) caiu sobre os que estavam congregados, enchendo completamente a casa. Ele (It) veio com plenitude e poder, com se estivesse restrito por gerações, mas estava agora sendo colocado sobre a igreja, para ser comunicado ao mundo."

 

 O termo "it" é usado no idioma inglês para se referir a animais, coisas ou objetos, e nunca a pessoas. Assim, se Ellen G. White estivesse compreendendo-o como um Deus, ela nunca usaria o termo "it" para denominá-lo. Assim, constatamos que este testemunho, ao contrário do que pretendem os teólogos, não demonstra que Ellen G. White cria em um Deus espírito Santo.

 

Trazemos à lume abaixo mais um texto que também é utilizado pelos teólogos para defender o entendimento de que Ellen G. White teria crido no espírito Santo como um Deus:

 

Virtualmente, tomamos um solene voto, em nome do Pai, do Filho e do espírito Santo, que desde então, nossa vida se uniria na vida destas três grandes Agencias, que a vida que viveríamos na carne, deveria ser vivida em fiel obediência à sagrada lei de Deus.” MS 67, 1907 / SDABC Vol. 1, pág. 1120

 

O texto acima não prova em absoluto que Ellen G. White cria em um Deus espírito Santo. Isto porque o testemunho afirma que este é uma grande "Agência". Pergunto: uma "Agência" é um Deus? Não necessariamente.

 

Assim, pela análise dos textos acima, que segundo os teólogos provariam que Ellen G. White teria mudado de posição gradualmente, vindo a crer finalmente que o espírito Santo era um Deus, percebemos que ela não mudou sua crença em relação ao tema "Divindade", ou seja, continuou crendo da mesma forma que os adventistas como um povo criam desde 1855. Existem outros textos que são apresentados por teólogos como sendo de autoria de Ellen G. White, mas não suportam o escrutínio das Escrituras. Consideramos não ser necessário analisá-los por ora, uma vez que entendemos que o sincero inquiridor da verdade, após ter acompanhado toda a revelação dada por Deus em mais de cinqüenta anos sobre o tema "Divindade", conforme apresentado neste compêndio, e constatar que ela nunca mudou, verificará que há provas mais que contundentes de que foi claramente revelado à serva do Senhor que existem apenas Deus, o Pai e Seu Filho Jesus Cristo, não havendo nenhum outro Deus. Não existe um Deus espírito Santo. O que ocorreu, foi que, como Deus já havia revelado à Sua serva, homens se dispuseram a "fabricar" provas que pudessem levar os adventistas do sétimo dia a mudar os pilares da fé conforme havia sido estabelecidos por Deus para o Seu povo ao longo de cinqüenta anos:

 

"O inimigo porá em operação tudo para desarraigar a confiança dos crentes nas colunas de nossa fé nas mensagens do passado, as quais nos colocaram sobre a elevada plataforma da verdade eterna, e firmaram e imprimiram cunho à obra....

Preciosa é a verdade para este tempo; mas aqueles cujo coração não foi quebrantado mediante o cair sobre a rocha Cristo Jesus, não verão nem compreenderão o que é a verdade. Aceitarão o que lhes agrada às idéias, e começarão a manufaturar outro fundamento que não seja aquele que foi posto. Lisonjearão sua própria vaidade e estima, pensando que são capazes de remover as colunas de nossa fé, e substituindo-as por outras de sua própria invenção." Manuscrito 28, 1890 / Mensagens Escolhidas, Vol. 2, 389

 

Se os líderes apóstatas da IASD já "forjavam" textos e os atribuíam a Ellen G. White em publicações antes mesmo de sua morte (conforme denúncia do Pr. Alonzo T. Jones transcrita e analisada neste compêndio), porque não o fariam após a sua morte? Infelizmente, constatamos que estes fizeram um esforço no sentido de "manufaturar", ou "produzir" compilações de textos de Ellen G. White de modo a fazer o povo entender que ela havia em algum momento de sua vida passado a crer na doutrina da trindade, que afirma ser o espírito Santo um Deus, cumprindo o que havia sido predito no testemunho acima.

 

Voltando ainda à nossa análise histórica, podemos apresentar uma prova de que Ellen G. White não teve nem a revelação divina e nem o entendimento sobre o tema "Divindade" mudados durante o período de 1888-1907. Esta está no texto que consta no livro "O Grande Conflito", revisão de 1911:

 

"Antes da manifestação do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. Tudo estava em perfeita harmonia com a vontade do Criador. O amor a Deus era supremo; imparcial, o amor de uns para com outros. Cristo, o Verbo, o Unigênito de Deus, era um com o eterno Pai - um na natureza, no caráter e no propósito - o único Ser em todo o Universo que poderia entrar nos conselhos e propósitos de Deus. Por Cristo, o Pai efetuou a criação de todos os seres celestiais. "NEle foram criadas todas as coisas que há nos céus ... sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades (Col. 1:16); e tanto para com Cristo, como para com o Pai, todo o Céu mantinha lealdade." O Grande Conflito, pág. 493, revisão de 1911

 

Segundo o texto acima, Cristo era um com o eterno Pai, o ÚNICO Ser em todo o Universo que possuía essa prerrogativa, e todo o Céu mantinha lealdade para com Cristo e com o Pai. O texto não dá qualquer margem para entendermos uma trindade de três deuses em um. Este texto foi revisado por Ellen G. White em 1911, pois faz parte da edição do livro “O Grande Conflito” de 1911. Isto quebra o argumento freqüentemente utilizado por teólogos de que Ellen G. White passou a aceitar gradativamente a doutrina de uma trindade a partir de 1898. Se isto fosse verdade, o texto que apresentamos acima, extraído do livro “O Grande Conflito”, revisão de 1911, deveria apresentar o conceito de uma trindade, ao invés de apresentar Cristo como o único que poderia entrar nos conselhos e propósitos de Deus.

 

Sobre a edição de 1911, o Pastor W. C. White, filho de Ellen G. White, escreveu o seguinte:

 

"Se ouvirdes de que parte da obra feita nesta última edição foi realizada contrariamente ao desejo de minha mãe, ou sem o seu conhecimento, podeis estar certos de que tais boatos são falsos, e indignos de consideração." Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 436

 

Ainda sobre esta edição, o mesmo pastor White disse:


"Desde que saiu esta nova edição, Mamãe tem tido grande prazer em examinar e reler o livro. Dia a dia, quando eu a visitava de manhã, ela falava a seu respeito, dizendo que se deleitava em lê-lo de novo e que estava contente porque o trabalho que havíamos realizado para tornar esta edição tão perfeita quanto possível fora completado enquanto ela vivia, podendo assim orientar o que estava sendo feito." Mensagens Escolhidas, Vol. 3, pág. 437

 

Apesar de constatarmos que Ellen G. White morreu não crendo em uma trindade, vemos atualmente que a IASD como um corpo organizado afirma que a trindade é uma de suas doutrinas fundamentais. Isto demonstra que outro testemunho dado por Deus à Sua serva teve seu fiel cumprimento na pessoa dos líderes da IASD:

 

"O inimigo das almas tem procurado introduzir a suposição de que uma grande reforma devia efetuar-se entre os adventistas do sétimo dia, e que essa reforma consistiria em renunciar às doutrinas que se erguem como pilares de nossa fé, e empenhar-se num processo de reorganização. Se tal reforma se efetuasse, qual seria o resultado? Seriam rejeitados os princípios da verdade, que Deus em Sua sabedoria concedeu à igreja remanescente. Nossa religião seria alterada. Os princípios fundamentais que têm sustido a obra neste últimos cinqüenta anos, seriam tidos na conta de erros. Estabelecer-se-ia uma nova organização. Escrever-se-iam livros de ordem diferente. Introduzir-se-ia um sistema de filosofia intelectual. Os fundadores deste sistema iriam às cidades, realizando uma obra maravilhosa. O sábado seria, naturalmente, menosprezado, como também o Deus que o criou. Coisa alguma se permitiria opor-se ao novo movimento. Ensinariam os líderes ser a virtude melhor do que o vício, mas, removido Deus, colocariam sua confiança no poder humano, o qual, sem Deus, nada vale. Seus alicerces se fundariam na areia, e os vendavais e tempestades derribariam a estrutura." Special Testimonies Serie B, n 2, págs. 51-59, 1904 / Mensagens Escolhidas, Vol. 1, págs. 204, 205

 

Como foi predito no testemunho acima, "nossa religião seria alterada", e o foi de fato. Os adventistas, como organização, que não criam na doutrina da trindade, passaram a crer nela. Assim, foi estabelecida "uma nova organização", baseada em doutrinas diferentes daquelas que constituíram-se os pilares da fé adventista por cinqüenta anos. Escreveram-se livros de ordem diferente. Entre eles, podemos seguramente citar: "A Vinda do Consolador" e "Moviment of Destiny", ambos de Leroy E. From, considerado o pai da doutrina da trindade no meio adventista, e portanto o principal elemento ativo no processo de mudança dos marcos estabelecidos por Deus e mantidos por Seu povo por mais de cinqüenta anos, para doutrinas de homens, não reveladas por Ele. Finalmente, o testemunho atestava que "coisa alguma se permitiria opor-se ao novo movimento". Deste particular, constata-se o seu cumprimento com relativa facilidade nos dias atuais, posto que aqueles que se levantam contra o crer-se em uma trindade são impedidos de pregar, sendo posteriormente disciplinados e excluídos do quadro de membros da organização adventista atual.

 

No capítulo que se segue, veremos como os pilares estabelecidos por Deus foram modificados ao longo da história do movimento adventista.

 

 

 

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